António Moniz de Palme

António Nazaré de Oliveira, um cavaleiro andante da Cultura e do Regionalismo

Nem sempre a nossa admiração e a nossa simpatia são condição bastante para preservar a vida dos Amigos queridos. Na verdade, com a chegada da última Gazeta da Beira às minhas mãos, fui atingido por uma dolorosa machadada nos meus sentimentos, quando tive conhecimento da partida do Dr. António Nazaré de Oliveira, desta atribulada Vida.

Hoje em dia, cada um para seu lado, poucas vezes tinha a oportunidade de conviver com a sua afável e simpática pessoa. Raramente estava com Ele, mas sabia que materialmente estava em sua casa e que apenas com o pequeno esforço de uma simples chamada telefónica tinha o prazer de o ouvir e de com Ele trocar impressões.

Fui habituado a respeitar a sua sabedoria, as suas investigações históricas regionais e, acima de tudo, o seu carácter impoluto e puro que dele faziam um autêntico cavaleiro andante das causas da nossa Terra. Desde muito novo me habituei a ver na sua pessoa alguém de excepcional personalidade. Lembro bem o Dr. António Correia de Oliveira, instalado na sua casa de Pouves, em Setembro, referir-se ao Dr. António Nazaré como um promissor professor e investigador, além de ser possuidor de um carácter excepcional que o transformava num verdadeiro ícone para a juventude do seu tempo… E na verdade tinha razão. Pelo jovem professor passava um halo de pureza, que se reflectia nos seus semelhantes, deixando um rasto de honradez e de integridade em todos os contactos sociais, circunstância já rara no nosso conturbado tempo.

E assim se mostrou tanto nas suas actividades no Colégio de S. Tomás de Aquino, como no Colégio de Santo Agostinho e na Escola Secundária Emílio Navarro, como na sua vida social e familiar. Enfim, um pedagogo íntegro, activo, com uma linha de conduta de onde brotavam os verdadeiros valores do humanista e a simplicidade dos eleitos. Fui sempre um apaixonado pelos seus escritos. Recordo o meu profundo encantamento, quando li a sua resenha histórica sobre “A naturalidade de Duarte de Almeida, o decepado do Toro”. Depois, mais tarde, a colorida reportagem sobre a estadia da Rainha D. Amélia nas Terras de Lafões. Seguiram-se uma série de artigos sobre Lafões e a sua história, não esquecendo as suas saborosas crónicas sobre figuras típicas sampedrenses. Enfim, uma vida activa intelectual na descoberta dos segredos da sua terra e no esclarecimento dos seus conterrâneos. Nunca irei esquecer o seu olhar franco e azul, com reflexos celestiais, que revelavam bem a sua excelente personalidade.

Foi uma figura exemplar para Lafões, que subiu a pulso a íngreme escala da vida, dando um exemplo significativo a todos de que, quem quer, vence na vida. Com o seu desaparecimento, a Comunidade Lafonense ficou mais pobre, pois morreu um dos seus melhores.

Deus O tenha junto a si. Não posso deixar de apresentar à sua Excelentíssima Família os meus mais profundos sentimentos.

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