Francisco Queirós

Costa e os Simplórios…

Como é que o feitiço se quebrou tão depressa? Como é que o sonho da maioria se transformou num pesadelo? Talvez existe uma resposta simples: as maiorias servem para governar e há quem tenha horror a governar, antes, e apenas, muita habilidade para ocupar o poder.

Os homens são tão simplórios e obedecem de tal forma às necessidades presentes, que aquele que engana encontrará sempre quem se deixe enganar.” Quando leu esta passagem de “O Príncipe”, de Nicolau Maquiavel, Napoleão Bonaparte anotou à margem: “O mundo está constituído por tolos. Entre a multidão, essencialmente crédula, contar-se-ão pouquíssimos indivíduos cépticos, e estes mesmos não ousarão confessar que o são.”

Homens simplórios, mundo de tolos e crédulos, governação de enganos. Ao cabo de mais de sete anos de António Costa talvez estejamos finalmente a descobrir que aquilo que nele nos surpreendeu afinal já estava descrito nesse velho tratado do século XVI. Aquele que engana encontrará sempre quem se deixe enganar e poucos como o nosso primeiro-ministro fizeram da arte do logro uma forma de vida e um modo de governo da Nação. O problema é que a grande maior parte dos Humanos são mesmo Simplórios que quase mendigam quem os engane!

Vamos ao cardápio dos embustes promovidos por Costa que não enganam senão o Saloios…

Contas certas? Cativações, investimentos anunciados e não concretizados, orçamentos fictícios.

Defesa do SNS? Promessas sempre repetidas e sempre por cumprir, dos médicos de família aos tempos de espera.

Escola pública? Ameaça de demissão em 2019, recuos em 2023.

A política assim não se faz com o objectivo de melhorar a coisa pública, mas apenas de exercer o poder. O poder é tudo, literalmente tudo, pois a multidão é “essencialmente crédula”. Até um dia. Até àquele dia em que “no desprezo incorre [o príncipe] quando os seus governados o julgam inconstante, leviano, pusilânime, irresoluto”.

Se a obtenção de uma Maioria Absoluta foi uma surpresa poucos esperavam que ele escolhesse um Governo mais fraco, mais “levezinho”, mais – porque não dizê-lo? – pusilânime.

Aqui há uns tempos Miguel Poiares Maduro, que foi uns anos professor na Florença de Maquiavel, notou que António Costa governa através de anúncios. Faz de uma promessa um anúncio e depois trata o anúncio como se já fosse um resultado. Quando a promessa não se cumpre e o resultado não se vê, faz um novo anúncio.” Sabemos que é bem assim e se querem disso um bom exemplo reparem na política de habitação: em 2017 Costa anuncia o Plano Nacional da Habitação (PNH): a habitação seria a prioridade da Legislatura e prometia em 2019, na moção ao Congresso, que os 50 anos do 25 de Abril deveriam ser marcados pela “Existência de habitação condigna para Todos” … Todas essas promessas encolheram no programa do seu governo de 2022, sem substituídas pelo modesto objectivo de resolver os “principais” problemas do sector, sem especificar quais.!

26/01/2022


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