Carlos Vieira

A pegada do ano velho não aponta o melhor caminho para o novo ano

O navio comandado por António Costa entra na rebentação do novo ano com rombos sofridos não por qualquer bombardeamento da direita (cuja armada parece tão desarmada como o atarantado almirante que a comanda), ou por ter encalhado nos “escolhos” da contestação sindical, ou nas embarcações mais pequenas à sua esquerda que abalroou apesar de lhe terem  servido de rebocadores; mete água devido aos “tiros nos pés” da tripulação.

Onze ministros e secretários de Estado remodelados em nove meses é a prova de que a maioria absoluta não assegura estabilidade, antes provoca a arrogância absoluta que conduziu ao desgaste do governo. De entre os sucessivos casos, destaca-se a escolha para secretário de Estado adjunto do primeiro-ministro, de Miguel Alves, que enquanto autarca de Caminha, autorizou o pagamento, a um empresário “charlatão”, de 300 mil euros de rendas de um pavilhão no papel. Alves foi ainda acusado de integrar uma rede de tráfico de influências para adjudicações por municípios do Norte que beneficiariam a empresa da mulher de um outro autarca do PS.

Seguiu-se a demissão de Alexandra Reis, convidada por Medina para secretária de estado do Tesouro, apesar de ter sido despedida da TAP com uma “indemnização” de 500 mil €. Faltam

esclarecimentos políticos, administrativos e jurídicos, mas retemos a falta de escrutínio dos nomeados para cargos públicos e a confirmação de que em Portugal se consolida uma casta de privilegiados, administradores e gestores de bancos, da grande distribuição e dos oligarcas de sectores estratégicos da economia. Esta “aristocracia”, os velhos e novos donos do grande capital, incumbem seus fieis escudeiros de entrar e sair (bem pagos) pela porta giratória dos governos.  Entrementes, verifica-se a desvalorização dos salários e pensões, num regresso à austeridade que acentua de forma dramática as desigualdades sociais que persistem no nosso país, onde os salários reais irão, este ano, recuar ao nível de 2014.

A culminar, a demissão da secretária de Estado da Agricultura, um dia depois de ter tomado posse, por suspeição de mau uso de dinheiros públicos e eventual corrupção.

Assim, a direita e o centro vão abrindo espaço ao populismo da extrema-direita. Esquerda, precisa-se!

12/01/2023


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