António Eloy

Desmascarando a simbologia

Desmascarando a simbologia

“La más antigua parece ser la de Dinamarca y data del siglo XIV. El diseño de los colores de la nuestra, la española, se oficializó en 1785. La bandera es un símbolo que se utiliza para representar a un grupo de personas. Los perros no usan banderas.”

Eduardo Soto, in “Contra la Nácion”, no prelo

“O infinito realiza-se no instante. O instante realiza-se no infinito”

Zénu Bianu “Cahiers de l’ermitage”

 

Pois o nosso trapo resulta da República, e em Timor quando se recuperou a independência ainda havia quem guarda-se o trapo monárquico, e recordo Gonçalo Ribeiro Telles que dizia foi a coisa que mais custou deixar da monarquia (claro que para ele tinha que outras coisas faziam falta, mas certamente não a integridade dessa!). A única bandeira que devia ser permitida é a bandeira branca! Símbolo de paz e fraternidade.

O Hino e o choro do hino são outra mistificação. O hino vem do tempo do Ultimatum, anos 70 do século XIX e resultou de um momento de nacionalismo do mais serôdio. Contra os bretões (british) marchar, marchar, Ultimatum inglês que nos salvou do Angola à contracosta, imaginem a multiplicação por 2 ou 3 dos mortos (100 ou 200 mil) da guerra colonial!!!Pois os hinos são momentos de orgasmos colectivos pois geram energias que logo se dispersam num hurrah ou ai meu deus final, mas não significam nada, como já Shakespeare nos dizia sobre a vida.

O único hino que devia ser autorizado devia ser o 4º andamento da 9ª Sinfonia, bem sei que estar 12 minutos em pé pode ser cansativo, mas quem diz que os hinos não podem ser ouvidos sentados?

Bandeiras, hinos, simbologias patetas, como o lenho sagrado, ou os textos de Deus (escritos por um analfabeto, desde logo, que Mahomé o era!, e tão difícil de acreditar como na sempre Virgem), ou as Tábuas ou tabuinhas com ou sem Lei, todas as simbologias, como nos diz Foucault “são representações de universos virtuais em que somos supostos acreditar, para nosso próprio domínio” ou melhor domínio do poder, ou do bio-poder sobre os nossos espíritos e sobretudo corpos.

Ultimamente, ainda sou do tempo em que os do Porto eram os Andrades, os do Benfica os Lampiões e os do Sporting Lagartos, e etc, etc, mas hoje essas simbologias (ver como podem facilmente ser substituídas), esses símbolos populares foram substituídos por outros, todos eles mitológicos, mas que ajudam ao tal orgasmo.

Claro que não é neste espaço que se pode discorrer apropriadamente, por falta desse, sobre os enquadramentos totémicos, e oníricos, articulados com o culto dos símbolos, e quaisquer deles, e desde logo para não ser tido por um blasfemo apocalítico e iconoclasta e até anarquista, tenho que confessar isso tudo, nem que seja sobre tortura. O peso das palavras é a leveza do espírito.

E para evidenciar estatuto moral uma citação de Buda, mas podia ser do Snoopy:

Impossível “negar a dissolução, quando, de facto, há a dissolução do corpo (…) negar a extinção, quando tudo deve extinguir-se.”

De facto tudo é relativo, não há, não há mesmo, nesta vida pelo menos, na outra acredite quem poder, não há nada absoluto, seja o sentido da história, não há seta do tempo, que como nos explica Carlo Rovelli, consagrado físico quântico, “o tempo não existe nem redondo!”, é uma abstracção do momento, sempre.

Vamos continuar a esgravatar, como as formigas a partir das quais E.O. Wilson nos intuiu a empatia.

Bom ano, seja isso o que seja.

12/01/2023


Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *