EDITORIAL 839

Situação meteorológica na região e no país deverá permanecer instável com previsão de descida de temperatura

À hora de fecho desta edição da Gazeta da Beira (final de quarta-feira), o distrito de Viseu voltava a estar sob aviso amarelo devido à previsão do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) de aumento da intensidade da chuva para a região, acompanhada de trovoada. Foi também anunciada a previsão de descida da temperatura.

Têm sido registadas pelas autoridades centenas de ocorrências nos últimos dias, incluindo quedas de árvores, deslizamento de terras, acidentes e estradas cortadas. O caso da Estrada Nacional 228, que serve diversas povoações no município de Vouzela, é preocupante porque está a criar uma situação de risco e exemplo do que não devia acontecer. Após três anos da ocorrência dos primeiros abatimentos dos taludes, a estrada continua a aguardar por uma intervenção.

A ocorrência de fenómenos extremos motivados pelas alterações climáticas – que alguns não acreditaram ou desvalorizaram – exige medidas concretas e urgentes para prevenir e mitigar os seus efeitos. Protelar essas medidas é colocar em risco a segurança de pessoas e bens, mas igualmente introduzir fatores de risco na economia.

O Plano Intermunicipal de Adaptação às alterações Climáticas de Viseu Dão Lafões (PIAAC-VDL), promovido pela Comunidade Intermunicipal Viseu Dão Lafões (CIMVDL), é muito claro na análise que faz sobre o futuro da região em termo de pluviosidade – mais escassez, e temperatura – maior variação, mas também nos seus impactes na saúde das pessoas, na biodiversidade, nas várias atividades económicas, nomeadamente na agricultura, pecuária e floresta, nas infraestruturas e no património.

A integração da adaptação às alterações climáticas no planeamento intermunicipal e municipal é absolutamente essencial para obter capacidade de resiliência territorial perante os significativos desafios que as mudanças do clima estão a criar.

Nos últimos dias, tem-se falado muito na Comunicação Social sobre alterações climáticas, a propósito, principalmente, das cheias em diversos concelhos da Área Metropolitana de Lisboa. Porém, que não se pense que a nossa região está livre desses e doutros fenómenos. Aliás, os incêndios florestais que por cá ocorreram com consequências dramáticas, devem deixar-nos em alerta.

Será que as autoridades responsáveis por estas áreas estão a fazer tudo o que é necessário e com a devida celeridade para enfrentar os efeitos das alterações climáticas? Não deviam as autarquias levar a cabo ações de esclarecimento e de preparação das populações para o que aí vem e que já se começa a sentir?

Vários estudos têm vindo a considerar que a redução da vulnerabilidade às alterações climáticas tornou-se uma das prioridades das políticas públicas, tanto ao nível nacional como local. Esse caminho adaptativo que é necessário iniciar, desde os instrumentos de planeamento como os PDM, até ao envolvimento das populações, não pode ser protelado. Não permitamos ser apanhados de surpresa, conforme se verificou em outubro de 2017. Os avisos são cada vez mais evidentes.

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