Em Foco 838
Ano agrícola 2021/2022 foi o mais quente e um dos menos chuvosos desde 1931

O efeito das alterações climática torna-se cada vez mais evidente e com repercussões na produção agrícola. O ano agrícola 2021/22, que decorreu entre 1 de novembro de 2021 e 31 de outubro de 2022, foi o mais quente desde 1931, com uma temperatura média de 16,4°C, segundo dados revelados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).
Note-se que valores de temperatura semelhantes só ocorreram em anos agrícolas relativamente recentes – 1996/97 e 2016/17 – o que indicia o agravamento das alterações climáticas nas últimas décadas.
O ano agrícola 2021/2022 também foi o terceiro menos chuvoso desde 1931, com uma precipitação de apenas 65% da média dos últimos 25 anos, apesar de os meses de setembro e outubro deste ano terem sido classificados como chuvosos.
Os efeitos destas alterações climáticas são visíveis nas previsões agrícolas, que apontam para decréscimos de produtividade em resultado da escassa precipitação e das elevadas temperaturas. Por exemplo, a produção de azeitona terá um decréscimo de 40%, face ao ano anterior, nas fruteiras, o cenário é semelhante, com quebras generalizadas de produção na ordem dos 45% na pera, 30% na castanha, 20% na maçã, 15% na amêndoa e 5% no kiwi.
A vindima de 2022 também deverá registar decréscimos na ordem dos 15%, antecipando-se a produção de vinhos bem estruturados, com harmonia entre álcool, acidez, açúcares e taninos. As culturas arvenses de primavera foram igualmente afetadas pelas condições de seca severa presentes ao longo do seu ciclo vegetativo, prevendo-se decréscimos de produção de 10% no milho para grão de regadio e de 15% no arroz e no tomate para a indústria.
O mês de outubro caracterizou-se, em termos meteorológicos, como muito quente e chuvoso, posicionando-se como o quinto mais quente dos últimos 92 anos. Registo para a ocorrência de uma onda de calor entre os dias 2 e 8 de outubro, nas regiões do interior Norte e Centro, do vale do Tejo e em alguns locais do interior do Alentejo, o que chama à atenção para a ocorrência com maior frequência de fenómenos meteorológicos extremos. As atividades agrícolas precisam de evoluir no sentido da mitigação e adaptação aos efeitos das alterações climáticas.
Comentários recentes