Graça Barão

Agustina Bessa-Luís - A Sibila

Agustina Bessa-Luís

A Sibila

Detentora de inúmeros prémios literários, resultado de uma longa e extraordinária carreira literária, em 1953, Agustina Bessa-Luís, com apenas 30 anos, obtém o Prémio Delfim Guimarães. Um ano depois, pelo mesmo romance, receberia um 2.º prémio – o Prémio Eça de Queiróz. A sua marca na literatura portuguesa é incontestável. Aos 81 anos foi distinguida com o Prémio Camões.

Fora a dedicação às letras (ficção, crónicas, teatro, ensaios, biografias, entre outros, traduzida em várias línguas e com diversas das suas obras adaptadas ao cinema), abraçou ainda outros desafios como a direção do jornal “O Primeiro de Janeiro” e do Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa, e integrou a Alta Autoridade para a Comunicação Social.

Em “A Sibila”, obra maior (reconhecida com dois prémios), o universo feminino apresenta-se na complexidade que lhe é adstrita: intuitivo, enigmático, competitivo e conspirante, sempre presente e executante. Todavia, a narrativa contraria a tendência secular da mulher submissa, mantida na sombra da figura masculina, alcançando aqui o reconhecimento pela sua intervenção direta no sucesso e restabelecimento do património financeiro e social da família.

Acompanhando três gerações de uma família, o leitor observa o mundo rural da protagonista, Quina, e de seus pais, em contraste com as diferenças que se operavam na realidade urbana – a chegada da sobrinha, Germa, ainda criança, exibindo “sapatinhos de verniz e polainas de lã branca”, desencadeia nelas (Quina e Maria, sua mãe) uma “hostilidade afável” e “céptica ironia”, ou não fosse Quina uma “…aldeã cheia de preconceitos da espécie, melindres que vão desde o conhecimento das suas inferioridades de cultura…”.

A linguagem é objetiva, porém rica, muitas vezes crua, quase contundente.

Adei…

10/11/2022


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