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Bispo de Viseu mantém em funções padre que está a ser investigado por abuso sexual “de uma mulher então adolescente”

O bispo de Viseu, D. António Luciano, decidiu manter em funções um padre desta diocese que está a ser investigado pelo Ministério Público por suspeitas de abuso sexual.

Segundo o jornal online “Observador”, este caso terá sido denunciado à Comissão Independente para o Estudo dos Abusos Sexuais contra as Crianças na Igreja Católica Portuguesa, que enviou o caso para o Ministério Público, mas que antes disso já tinha chegado ao conhecimento do bispo de Viseu.

Dados divulgados na imprensa, indicam que o bispo de Viseu optou por não suspender preventivamente o referido sacerdote, acusado de ter violentado uma mulher, então adolescente, das suas tarefas pastorais enquanto decorre o inquérito judicial, como fizeram outros bispos portugueses.

De notar que D. Américo Aguiar, coordenador da Comissão para a Proteção de Menores do Patriarcado de Lisboa recomendou, no início desta semana, que um sacerdote alvo de denúncias deve pedir a suspensão provisória de funções, durante a investigação.

“Que a pessoa se afaste das suas funções, ou que peça a suspensão das suas funções, não como assunção de culpa, nem juízos, mas para não influenciar e não criar qualquer tipo de ruído em volta disso”, disse D. Américo Aguiar em declarações aos jornalistas, na sede da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV), em Lisboa. Para o responsável eclesiástico, “o normal é que a decisão seja o afastamento das funções”, após “uma conversa do sacerdote com o bispo da sua diocese”.

A Diocese de Viseu reagiu, em comunicado, às notícias sobre o alegado caso de abuso sexual envolvendo um sacerdote local, defendendo a necessidade de preservar a “privacidade” e “anonimato” das vítimas, apesar de que o que estava em causa era a suspensão do referido padre da sua atividade pastoral.

“A Diocese reitera o compromisso que se deve ter para com as vítimas, assim como a obrigatoriedade de se proteger as mesmas e as suas famílias, motivo pelo qual não cede ao desejo de alimentar aquilo que possa ser contrário à verdade, à privacidade e ao anonimato”, indica uma nota enviada à Comunicação Social.

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