Entrevista a Camilo Rueff
Empresário e Presidente do Carvalhais Futebol Clube
Neste momento estamos no 6.º lugar do campeonato da Divisão de Honra de séniores, temos uma equipa de Sub-14 e outra de Sub-18 a disputar os respetivos campeonatos, o que nos deixa muito orgulhosos.
• Paula Jorge
A rubrica “Gente Que Ousa Fazer“ será assente numa entrevista a alguém que tenha algo válido no seu percurso de vida. Gente que sabe o que quer e, acima de tudo, que luta por aquilo que quer. As entrevistas serão sempre encaminhadas de forma a mostrar o lado melhor que há em cada um de nós e, dentro do possível, ousar surpreender o leitor. Serão entrevistas com a marca das nossas gentes, da região Viseu Dão Lafões, de todos os quadrantes e faixas etárias. Vamos a isso!
Ficha Biográfica
Nome: Camilo Rueff
Idade: 57
Onde vive: Quintela – Várzea
Profissão: Empresário
Livro: A fórmula de Deus
Música: A estrada
Destino de sonho: Casa
Muito obrigada, Camilo Rueff, por mostrar disponibilidade para esta entrevista da rubrica “Gente Que Ousa Fazer”.
Paula Jorge (PJ) – Comecemos pelo princípio. Pode descrever o seu percurso académico e o profissional?
Camilo Rueff (CR) – Eu é que agradeço o convite para esta entrevista, mas não há muito a dizer sobre o meu percurso de vida. E eu também não tenho jeito para falar de mim. Em termos académicos, apenas conclui o 12º ano, mas quando já tinha cerca de 40 anos lembrei-me de ir para a Universidade tirar Direito. Acabei o 1º ano e desisti no 2º por falta de tempo e por novas exigências da era Bolonha.
A nível profissional, comecei a trabalhar quando ainda não tinha acabado o 12º ano, no Balneário Rainha D. Amélia a preparar as banheiras! Depois fui para um gabinete de contabilidade em Vouzela e daí para a CTV, fábrica de confeções também em Vouzela onde aprendi quase tudo do que sei neste ramo. Tive um grande professor na área têxtil e do vestuário que se chamava Amândio Pechim. Aí estive cerca de 15 anos e depois comecei a trabalhar por conta própria sempre no mesmo ramo. E como não sei fazer mais nada, continuo nos trapos. Há uns anos lancei também uma pequena empresa de turismo, sediada nas Termas, que faz passeios turísticos na nossa região. Trata-se de um negócio muito sazonal e de pequena escala embora muito interessante do ponto de vista do produto oferecemos: a natureza, as nossas raízes, a nossa serra e os nossos costumes.
PJ – É uma pessoa muito ligada ao desporto. Como começou esta sua aproximação ao desporto em geral?
CR – Começou pela proximidade da minha casa em Carvalhais com o campo de futebol e o facto de também o meu pai ser um amante do desporto e do Carvalhais F.C.
Aliás, também o meu pai foi Presidente do clube nos anos 70. Fui atleta do clube, fui dirigente, Presidente da Assembleia Geral e agora Presidente da Direção, ou seja, não tenho emenda.

PJ – É o Presidente do Carvalhais Futebol Clube. Como se encontra o clube neste momento?
CR – O Carvalhais está bem, temos solidificado o clube na Divisão de Honra, temos avançado no futebol de formação e melhorado as infraestruturas. Fruto do imenso e louvável trabalho das direções anteriores e da Comissão de Apoio. Neste momento estamos no 6.º lugar do campeonato da Divisão de Honra de séniores, temos uma equipa de Sub-14 e outra de Sub-18 a disputar os respetivos campeonatos, o que nos deixa muito orgulhosos.
PJ – O facto de o clube estar localizado fora dos grandes centros, que desvantagens e/ou vantagens poderá ter?
CR – Como já disse várias vezes, o Carvalhais compete com os “tubarões” todos do distrito. Quase todos os nossos oponentes são de cidades importantes como Cinfães, Sátão, Penalva do Castelo, lamego, Oliveira de Frades, Viseu, Moimenta da Beira, etc…. o que torna a nossa tarefa muito difícil, pois são clubes que têm outros apoios, outras condições logísticas e até outro peso nas instituições desportivas. Nós, sendo uma aldeia, temos essas desvantagens de dimensão e de situação geográfica, embora o Município e a Junta de Freguesia nos ajudem bastante. Temos também o apoio dos sócios e dos patrocinadores que são fundamentais para manter o clube num patamar elevado. O bairrismo é uma característica e uma virtude das gentes de Carvalhais que sofrem muito com o clube por isso é nossa obrigação dar-lhes alegrias. Este ano calhou-nos em “sorte” sermos incluídos na zona norte do distrito em todos os escalões. São deslocações enormes e a triplicar. É muito difícil de gerir sem o apoio dos pais e das instituições.
PJ – Vê o desporto como uma alternativa saudável na vida dos jovens ou noutra perspetiva?
CR – Nós temos desde sempre tentado manter e até aumentar o número das equipas jovens, pois acreditamos que o desporto é muito importante para os jovens. Além de saudável em termos físicos, ocupa-os jovens em termos mentais, inclui-os numa atividade de grupo que os ajuda a perceber o espirito de equipa, o respeito pelos colegas e adversários, o fair play e a educação. Em Carvalhais não excluímos nenhum miúdo das nossas equipas, porque consideramos que todos, independentemente do talento tem direito a praticar o desporto que mais gosta. Claro que a partir de determinados patamares, a competitividade, ganhar, passa a ser mais importante e aí existe algum crivo em termos técnicos, mas todos são importantes no grupo, joguem muito ou joguem pouco. É também muito importante trazer os pais destes atletas para o clube, para que nos ajudem, mas para também acompanharem os seus filhos na sua formação. E, felizmente, temos tido essa solidariedade por parte das famílias dos jogadores.

PJ – Muitas histórias terá guardadas durante todo o seu percurso de vida e ao nível do desporto. Quer partilhar connosco uma das histórias que mais o marcou?
CR – Não me recordo de nenhuma especialmente marcante para além, claro, dos campeonatos ganhos e respetivas subidas de divisão.
PJ – Quer falar-nos de alguns projetos em que esteja envolvido e que ainda não tenhamos falado?
CR – Neste momento não penso em novos projetos. Com a pandemia, e agora a guerra, a vida de todos nós alterou-se bastante, tornou-se mais instável e as certezas que antes tínhamos agora são preocupações, desconfianças em relação ao futuro. Daí preferir esperar que a poeira assente e então pensar em novas aventuras.
PJ – Acredita que a sociedade e as instituições que nos representam dão a devida importância ao setor do desporto?
CR – De forma geral penso que sim. A nossa Câmara luta com a dificuldade de ter de acudir a muitos clubes e associações o que não acontece noutros concelhos. Não é fácil apoiar todos de forma igual, pois todos temos particularidades diferentes. Parece-me que se há alguma lacuna, será a dos transportes das camadas jovens para os jogos, mas certamente que a Município está ciente disso e irá ajudar.
Carvalhais Futebol Clube
PJ – Para além de tudo o que já foi referido, que outras paixões nutre, que o completam enquanto pessoa?
CR – Gosto muito do que faço em termos profissionais. Gosto de viajar, tanto em lazer como em trabalho, de conhecer outras culturas. Em termos profissionais, gosto de escolher tecidos, escolher coleções, apresenta-los aos clientes. Não se pode parar, pois a moda está em constante mudança e as encomendas não “caem do céu” e lidar com a Ásia é difícil. Mas, ao mesmo tempo é um desafio constante e eu gosto disso.
PJ – Apenas numa palavra, pode descrever-se?
CR – Ativo.
PJ – Para fechar esta entrevista, o que me diz o seu coração?
CR – Que devo ter cuidado com os exageros…. Agora a sério, que o desporto é para nos divertirmos, para confraternizarmos e não para criar inimizades. Podemos ser competitivos sem sermos desonestos ou violentos.

PJ – Quero, em meu nome pessoal e em nome da Gazeta da Beira, dizer-lhe que foi uma enorme honra, Camilo Rueff! Desejo-lhe a continuação de um excelente trabalho e MUITO OBRIGADA! Peço-lhe que deixe uma mensagem breve a todos os nossos leitores.
CR – Continuem a apoiar o jornalismo local.
27/10/2022

Comentários recentes