Graça Barão

António Tavares - O Coro dos defuntos

António Tavares

O Coro dos defuntos

António Tavares assina peças de teatro, estudos e ensaios, entre outros textos. Foi jornalista, fundador e diretor do periódico regional “A linha do Oeste”. Fundou, ainda, e coordenou a Revista de Estudos – Litorais. Enquanto romancista tem captado a atenção e o louvor do público. Venceu o Prémio LeYa com “O coro dos defuntos”, em 2015. Foi finalista de vários Prémios com “As palavras que me deverão guiar um dia”. Os seus romances “Todos os dias morrem deuses” e “O tempo adormeceu sob o sol da tarde” obtiveram menções honrosas no Prémio Alves Redol. Além da escrita dedica-se ao ensino.
Em “O coro dos defuntos”, “romance evocativo da obra de Aquilino Ribeiro” nas palavras do autor, num registo curto, mas denso, é-nos apresentado um quadro de um mundo fechado, entre os anos 68 e 74, da ruralidade beirã, prestes a ser tomado pelo mundo exterior.
Num período de mudanças profundas para o mundo lá fora (a primeira viagem à Lua, um chimpanzé com apenas dois meses e meio de idade foi capaz de escrever uma palavra), mas igualmente cá dentro (a chegada à taberna da “caixa luminosa”, uma revolução de espingardas que carregaram cravos), assistimos à pintura, com mestria no uso das cores, da linguagem, do estilo discurso, do retrato de uma aldeia onde “tudo se compunha de forma a manter-se e a perdurar e só as estações completavam o seu ciclo de mudança.”
As crenças, subterfúgio em que nos auxiliamos para organizar o nosso mundo interior e a vida tal como a concebemos faça sentido, são aqui expostas com um vigor que não se priva de excessos para as validar. Impossível não sorrir amiúde, quer pela ironia constante, quer pela candura de ideias “Caramba, se passasse aqui a gente nem o via!” (em referência ao comboio ultrarrápido japonês -Trem Bala- que circulava a trezentos quilómetros por hora).
13/10/2022


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