Produtos para a agricultura em escalada galopante

Em junho de 2022, assistiu-se a um acréscimo de 36,7% no índice de preços de bens e serviços de consumo corrente para a agricultura, relativamente ao mesmo mês do ano passado.  Este enorme aumento foi causado, principalmente, pelos aumentos dos índices de preços dos adubos e corretivos (+137,9%), energia e lubrificantes (+57,4%), alimentos para animais (+44,8%) e manutenção de materiais (+21,2%).

No índice de preços dos bens e serviços de investimento agrícola registou-se crescimento de 9,6% devido, fundamentalmente, aos aumentos dos índices de preços das máquinas e materiais para colheita (+14,6%), motocultivadores e outro material de duas rodas (+9,3%) e máquinas e materiais para cultura (+7,1%)

Em julho de 2022, as variações mais significativas, em módulo, no índice de preços de produtos agrícolas pagos ao produtor foram observadas na batata (+106,5%), bovinos (+76,4%), hortícolas frescos (+66,5%), ovos (+55,8%), aves de capoeira (+30,0%) e suínos (+25,9%).

Estes números constam do mais recente Boletim Mensal da Agricultura e Pescas, publicado do mês passado.

 

Previsões Agrícolas

As previsões agrícolas, em 31 de julho, apontam para uma produção de batata muito afetada pela seca e pelas temperaturas muito elevadas que inibiram a tuberização, verificando-se decréscimos de produtividade, bem como dificuldades de comercialização.

Também a campanha cerealífera foi fortemente marcada pela seca severa a extrema que acompanhou grande parte do ciclo vegetativo dos cereais de inverno. A atual campanha deverá ser a segunda pior desde que existem registos sistemáticos, apenas superior à produção de 2012 e próxima da de 2005 (igualmente anos de secas extremas).

Em contrapartida, apesar da escalada dos preços dos meios de produção e da escassez de água de rega que, em muitos regadios privados, tem condicionado a frequência e dotação de rega, o cenário nas culturas de primavera não é tão negativo. Prevê-se, por exemplo um aumento de 5% da área de milho, para os 78 mil hectares.

A subida da cotação do milho nos mercados internacionais e o potencial efeito da Portaria 131/20227 1 (diretamente ligada à invasão russa da Ucrânia), fatores que poderiam desencadear um maior interesse por esta cultura, foram atenuados pelo impacto significativo do aumento dos preços dos meios de produção, sobretudo dos fertilizantes, energia e combustíveis, e da previsível escassez dos recursos hídricos.

A onda de calor, cujo pico ocorreu no período de 7 a 17 de julho, causou escaldões nas fruteiras, principalmente nas macieiras e pereiras, e também na vinha, culturas onde se preveem quebras de produtividade de, respetivamente, 15%, 30% e 10%, face à campanha anterior.

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