EDITORIAL 831

O FMI e o drama das pensões abaixo do limiar da pobreza

O FMI e o drama das pensões abaixo do limiar da pobreza

Fomos surpreendidos, há dias, pela notícia de que o Fundo Monetário internacional (FMI) quer mexidas no sistema de pensões em Portugal, nomeadamente alterações na sua fórmula de cálculo e uma subida da idade de acesso às reformas antecipadas. O argumento é recorrente e centra-se no “reforço da sustentabilidade da Segurança Social”, apesar de o Governo ter referido que não há problemas com a sustentabilidade do Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social que superou em setembro de 2019, pela primeira vez, e 20 anos após a sua constituição, o valor histórico de 20.000 milhões de euros, tendo-se verificado um reforço da capacidade de cobertura do pagamento de pensões, situação que se em mantido devido às taxas de desemprego não terem crescido.

O problema dramático das pensões não se encontra na sustentabilidade, mas na situação de pobreza em que vivem milhões de pensionistas no nosso país, e suas causas. Em 2020 a pensão média de velhice era de 467,86 euros (o limiar de pobreza é de 475,21 euros) e a de pensão de sobrevivência de 243,00 euros!

Mesmo com o aumento anual extraordinário de 10 euros nas pensões mais baixas, que tem desviado a opinião pública e os media deste problema das pensões de miséria, o que se torna urgente é olhar para milhões de pensionistas que continuam na pobreza e garantir que, no futuro, outros milhões de portugueses não caiam na miséria. Este é um problema de todos – os ativos de hoje serão pensionistas amanhã – e também do país no seu conjunto, mas, como sabemos, com uma particular importância nos territórios do interior cada vez mais castigados por uma demografia vincadamente adversa.

 

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