EDITORIAL 830

Porque ainda faz sentido, junho é o Mês do Orgulho LGBT+

Por todo o mundo e em cerca de 20 cidades portuguesas, celebra-se em junho o Mês do Orgulho LGBT+. Em Viseu, foi convocada para 9 de outubro a 5ª Marcha pelos Direitos LGBTQIA+ (nos últimos anos o movimento passou a ser identificado pela sigla LGBTQIA+) sob o mote “Um movimento em Marcha”, celebrando o caminho histórico em Portugal. A plataforma de Viseu explica que pretende “a construção de um movimento político no combate à discriminação, pelo fim da violência e da opressão motivada pela orientação sexual, identidade e/ou expressão de género e característica sexuais”.

Este ano o movimento celebra os 40 anos da despenalização da homossexualidade em Portugal (1982), os 32 anos da despatologização da homossexualidade da Lista Internacional de Doenças Mentais (OMS) e os 17 anos da Manifestação STOP Homofobia, em Viseu, recordando a importância da participação cidadã na transformação política e social que fazem a democracia portuguesa.

O movimento tem conseguido avanços importantes. O progressivo reconhecimento dos direitos das pessoas LGBTQIA+ perante a lei tem vindo a evoluir de forma positiva. O combate às discriminações e à criminalização das relações não-heterossexuais alcançou os objetivos por todo o globo. Também a opinião pública tem vindo a mudar tendo-se tornado nos dias de hoje muito mais positiva. Isto é evidente nos grupos etários mais jovens.

Porém, temos vindo a assistir a pressões em sentido contrário (veja-se o caso do aborto nos EUA) pelo que faz todo o sentido descer à rua para reclamar igualdade plena perante a lei, mas também perante a sociedade — a sociedade não muda por decreto.

É um facto que ainda existem discriminações na contratação e oportunidades laborais, no acesso a habitação, em crianças e jovens nas escolas e até no seio das suas famílias, apesar de estas práticas serem inconstitucionais, ilegais e violarem as mais básicas noções de desenvolvimento psicossocial de crianças e jovens.

Não podemos desistir de conseguir que nas nossas comunidades os nossos filhos, os nossos netos, os nossos amigos sejam tratados sem discriminações e sem estarem sujeitos às várias formas de bullying, independentemente das orientações sexuais de cada um/a, com liberdade total e com orgulho em si, em serem o que sentem realmente ser.

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