Morreu o jornalista Armando Pereira da Silva, natural de Oliveira de Frades

Autor da obra “Talhadas do Vouga – Ocupação sem Limites” (1973)

Natural de Oliveira de Frades, Armando Pereira da Silva foi um prestigiado jornalista com um percurso, iniciado nos anos 60, que vai do “O Comércio do Porto” (delegação de Lisboa), “Vida Mundial”, “Diário de Lisboa” até ao “O Diário”, matutino de que foi o primeiro chefe de redação e diretor nos anos 80. Faleceu em Lisboa, com 81 anos.

Estudou em Aveiro (nos anos 50 poucos concelhos tinham ensino secundário) e depois rumou a Lisboa, mantendo estreita ligação a Oliveira de Frades e à região do Vouga.  Dirigiu, de 1976 a 1990, o Suplemento Cultural de “O Diário”, considerado pelo professor Vítor Serrão um dos melhores cadernos culturais da época, referindo-se ao jornalista como “uma personalidade cativante e aberta, que tinha da cultura uma perspetiva alargada e plural”.

O respeito profissional que granjeou na classe e a amizade dos camaradas das redações onde trabalhou levou-o a presidente da Direção da Casa da Imprensa no biénio 1972/73, tendo integrado o seu Conselho Geral entre 2009 e 2019. Contraiu doença grave que o obrigou a retirar-se do jornalismo, dedicando-se à tradução de obras de caráter sociopolítico.

Num texto de Diana Andringa, antiga presidente do Sindicato dos Jornalistas, é referido que Armando Pereira da Silva publicou dois livros: um de ficção, “Praia Nua: Contos”, em 1963, e outro que é uma reportagem histórica sobre a luta pela gestão democrática dos terrenos baldios durante o Estado Novo, “Talhadas do Vouga – Ocupação sem Limites”, em 1973, onde encontramos o então jovem advogado de Lafões, António Bica, ao lado dos povos daqueles territórios ameaçados nos seus mais ancestrais direitos.

O funeral do jornalista Armando Pereira da Silva realizou-se na passada quarta-feira para o cemitério dos Olivais, em Lisboa.

16/06/2022


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