Serranita de Manhouce

Alunos EB1 de Manhouce

• Alunos da EB1 de Manhouce

Faltava uma semana para acabarem as aulas. O estio já se fazia anunciar com dias longos e muito quentes.
Depois de um belo dia de aulas, estava cansada e resolveu dar um mergulho num dos poços da aldeia. Pelo caminho de terra batida e sempre a descer até ao Poço da Silha foi observando as árvores frondosas e o recorte das folhas, cheirava o perfume das flores silvestres onde borboletas coloridas bebiam o doce néctar. Os passarinhos cantavam e voavam, sob o céu todo iluminado pelo Sol. Sentia-se feliz, contente e abençoada por ter tamanha beleza tão perto de casa. Mesmo à beira do rio estava uma joaninha pousada numas verdes ervas. Era como um sinal para ficar ali e estender a toalha. Meu dito, meu feito! Estendeu a toalha em cima de uma pedra em forma de cama e deixou-se beijar pelos raios do Sol.
Naquele sítio paradisíaco só se ouvia o som da água a cair em cascata para o poço e os passarinhos a cantarem alegres melodias. Dentro do seu corpo os quentes raios solares iam-se transformando em vitamina D. Com paz de espírito a mente vagueava pelas coisas boas que a rodeavam. Era uma cachopa feliz, pois tinha uma família, amigos, e vivia numa aldeia serrana cheia de tradições e bons costumes. Estava mergulhada nestes pensamentos bem profundos da sua alma, quando olhou para a pedra ao lado e viu que tinha a companhia de um bonito lagarto-de-água com a cabeça azul-celeste.
O Sol aqueceu-a de tal maneira, que decidiu dar um mergulho para se refrescar. Dentro daquela água fria e cristalina abriu os olhos para ver as pedras no fundo do Poço da Silha. Quando começou a ter frio e a ficar com pele de galinha foi sentar-se na pedra ao Sol. Começou a contemplar todo aquele lugar belíssimo e mágico. Uma brisa quente acariciava os verdes ramos das árvores, a cascata escrevia uma magnífica sonata, as flores coloridas pareciam rir-se para ela e sentiu a felicidade inundar o seu coração.
De repente, ouviu alguém a falar mas não conseguia ver ninguém na sombra das árvores. E a voz continuou:
– Oi garota! Oi garota, estou aqui debaixo das árvores! Posso te fazer companhia?
Florinda pensou que estava a sonhar, pois não vislumbrava nenhuma pessoa na sombra.
– Estão a chamar-me, estarei a delirar?
Subitamente estava um rapaz à sua frente.
– Oi garota, me chamo Osvaldo e tenho 15 anos! Como se chama você?
– Chamo-me Florinda, mas toda a gente da aldeia trata-me por Serranita!
Mas, espera aí! Tu falas com sotaque brasileiro! Como vieste aqui parar vindo do outro lado do oceano Atlântico?
– Ui, isso é uma longa história, vou contar rapidinho para você! No século passado, meu vovô, o papai de meu papai, emigrou para o Brasil. Nunca mais voltou cá, acabando por morrer lá. Meu papai se casou lá com minha mamãe, e nunca teve interesse em vir conhecer a aldeia de meu vovô. Mas eu sempre tive muita curiosidade em conhecer a aldeia, porque meu vovô me contava muitas histórias daqui. Tive uma ideia, me podes ajudar a conhecer um pouquinho da freguesia durante estas férias?
– Claro que sim Osvaldo, com todo o gosto! Podemos encontrar-nos amanhã, sábado, às nove horas na escola! Sabes onde é a escola?
– Sim, passei por lá hoje com os meus papais.
– Então fica combinado, Osvaldo! Até amanhã!
– Até amanhã, Serranita!
Nessa noite, o Osvaldo mal dormiu tal era a vontade de conhecer os sítios, as tradições e os costumes daquela aldeia serrana.

26/05/2022


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