Entrevista a Marco Carlos Rodrigues Pereira

Técnico Superior de Desporto e Presidente da Associação “Os Vouzelenses”

 

  • Paula Jorge

 

Ficha Biográfica

Nome: Marco Carlos Rodrigues Pereira

Idade: 41 anos

Profissão: Técnico Superior de Desporto e Presidente da Associação “Os Vouzelenses”

Livro preferido: O Padrinho (Mario Puzo)

Destino de sonho: Austrália

Personalidade que admira: Nenhuma em particular

 

 

 

Muito obrigada, Marco Pereira, por mostrar disponibilidade para esta entrevista da rubrica “Gente Que Ousa Fazer”. Comecemos pelo princípio.

Paula Jorge (PJ) – Pode descrever o seu percurso académico e o profissional?

Marco Pereira (MP) – Iniciei o meu percurso académico em Figueiredo das Donas, a minha aldeia natal, onde realizei os 4 anos do então Ensino Primário. Tendo completado o ensino básico e secundário em Vouzela. Após concluir o 12º ano, em Científicos na variante de desporto, e também devido ao meu gosto por esta área, prossegui os meus estudos superiores no Instituto Politécnico da Guarda, onde concluí a Licenciatura em Professores do Ensino Básico, variante Educação Física. Mais tarde tirei uma pós-graduação, no Instituto Piaget de Viseu, em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário.

 

PJ – Sabemos que na sua área, a formação é muito importante. Quer falar-nos da sua perspetiva relativamente a este tema e enumerar algumas das formações que tem no seu currículo?

MP – O ensino, seja na área do desporto, ou noutra qualquer, está em constante mutação. Eu não aprendi aquilo que os meus pais aprenderam e aquilo que hoje se ensina, é diferente daquilo que eu aprendi, já para não falar na forma de ensinar. O desporto/ensino, tal como o mundo, está em constante mudança e a única forma de acompanharmos estas alterações, é através da formação. Assim, além da minha formação académica, que durou 18 anos, fui sempre realizando muitas formações complementares (ainda na faculdade), algumas por interesse, outras por necessidade. E ainda hoje, sempre que considero útil, as realizo.

 

PJ – Alcançou recentemente uma grande vitória enquanto Presidente da Associação “Os Vouzelenses”, sendo Campeões da 1.ª Divisão Distrital e subindo à Divisão de Honra da AF de Viseu. Quer falar-nos deste trabalho/missão como Presidente e do seu percurso na Associação?

MP – A minha ligação à Associação “Os Vouzelenses” começou após ter terminado a faculdade, quando fui convidado para treinar um escalão de formação. Estive vários anos como treinador de diferentes escalões, desde escolinhas, a sub-11, aos juvenis, juniores e até séniores (como treinador adjunto), não só nos Vouzelenses, também treinei um ano na U.D. Sampedrense. Mais tarde, fui convidado para coordenador da formação e foi nestas funções que me comecei a aperceber das dificuldades que a Associação vivia. Acabei por sair do clube, mas fui sempre acompanhando de fora e em 2020 foi-me lançado o desafio de formar uma direção, pois o clube estava com muitas dificuldades, não apenas diretivas, mas também financeiras. Assim, a minha primeira preocupação, já como presidente foi perceber como estavam as contas do clube e era pior do que aquilo que imaginava. O primeiro ano do mandato, foi o ano zero por assim dizer, em que o objetivo foi liquidar o máximo de dívidas que o clube tinha, quer com fornecedores, AF de Viseu, jogadores e equipa técnica, não o conseguimos no primeiro ano, nem no segundo, mas as contas felizmente estão consolidadas e a casa arrumada. Isso permitiu-nos partir para o segundo ano do mandato, com um objetivo a nível desportivo, que era colocar a equipa sénior na Divisão de Honra. A direção em conjunto com a equipa técnica conseguiu formar um grupo de jogadores muito forte, que não só assegurou a subida de divisão, como acabaria por se tornar campeão da 1ª Divisão Distrital.

 

PJ – Que desafios se apresentam com este posicionamento da equipa na Divisão de Honra?

MP – A Divisão de Honra da Associação de Futebol de Viseu, é a divisão de elite do distrito. Temos a perfeita noção que o nível de exigência é muito superior ao da 1ª Divisão Distrital, mas quando formamos o grupo para competir na presente época, a nossa intenção foi desde logo, construir o alicerce daquilo que seria a equipa para a época seguinte. Até porque financeiramente, não temos a “saúde” de outros clubes. Teremos de ir buscar 4/5 jogadores com experiência, para ajudarem os restantes a alcançar aquilo que desejamos que é a manutenção. A missão não se afigura fácil, até porque temos exemplos de outros clubes que subiram o ano passado e este ano, acabaram por descer, mas tudo iremos fazer tudo que Vouzela e os Vouzelenses possam competir com os melhores do distrito de Viseu, que é o lugar que esta Associação com 92 anos de vida, merece!

PJ – Fale-nos dos escalões de formação da Associação “Os Vouzelenses”.

MP – A formação sempre foi uma das prioridades desta direção e minha enquanto presidente. Talvez porque passei lá vários anos, fui-me apercebendo da diferença de trato, destes escalões, com o plantel sénior. Assim o meu/nosso objetivo, sempre foi dar condições de trabalho idênticas entre todos. Atualmente o clube tem os escalões de Traquinas (Sub-6), Petízes (Sub-9), Sub-10, Sub-12 e Sub-13. O número de atletas tem vindo a aumentar, o que é claramente indicativo que estamos a trabalhar bem. Quanto aos resultados, umas vezes melhores, outras vezes piores, mas o mais importante é que os miúdos se sintam realizados e gostem de representar o nosso clube.

 

PJ – O que mais almeja para a Associação “Os Vouzelenses” enquanto Presidente?

MP – Apesar de uma história que já conta com 92 anos, “Os Vouzelenses” é um clube modesto, inserido numa pequena vila. Isto faz-me ser muito realista, enquanto presidente e a curto prazo, até porque não sei até quando ocuparei estas funções, espero que o clube possa ter todas as suas dívidas saldadas, que o plantel sénior se afirme como equipa da Divisão de Honra e que a nossa formação possa continuar a crescer, não só em quantidade, mas também em qualidade. Também conseguimos neste primeiro mandato, criar novas duas modalidades, o ténis e o padel, em breve contaremos com uma outra e também iremos tentar formar já para a próxima época, uma equipa de veteranos, pois como deve imaginar foram muitos os atletas que por aqui passaram.

 

PJ – Quer partilhar connosco outro grande projeto que tem na sua vida, os mirtilos?

MP – Nunca me passou pela cabeça ser agricultor, mas o meu início de carreira enquanto professor foi um pouco titubeante, tal como muitos professores da minha geração, fiz várias coisas, com horas aqui, horas ali. Em 2011 tive conhecimento, através de um amigo, de um projeto para jovens agricultores, de instalação e produção de mirtilos e assim começou esta aventura. Falei com o meu irmão e decidimos avançar, atualmente temos uma produção de 1 hectare, que  é a nossa segunda atividade profissional, e apesar de ser algo trabalhoso, acaba também por ser um apoio financeiro.

 

PJ – Fale-nos sobre o seu ponto de vista relativamente ao impacto que esta área comercial, os mirtilos, tem na região de Lafões.

MP – Quando me iniciei nestas lides, não tinha noção que houvesse tanta gente com este tipo de projetos. Mas ao longo dos anos fui conhecendo vários outros produtores, a maioria continua ativo, mas alguns acabaram por desistir, pois como disse anteriormente, requer alguma dedicação. A verdade é que seja através da venda do produto, da criação de emprego (ainda que sazonal), os mirtilos têm, sem dúvida um importante papel na nossa região e no meu ponto de vista com margem para continuar a crescer.

PJ – Para além das múltiplas funções que exerce, que outras paixões nutre, que o completam enquanto pessoa?

MP – Com o meu trabalho enquanto Técnico Superior de Desporto no Município de Vouzela, com os mirtilos e ainda com este cargo de presidente na Associação “Os Vouzelenses”, não me resta muito tempo livre. Mas gosto muito de viajar, tento sempre que posso, pelo menos uma vez por ano, fazer uma viagem ao estrangeiro (estes últimos 2 anos devido à pandemia não foi possível), também gosto muito de cinema e de ciclismo (pedalo uma a duas vezes por semana).

 

PJ – Apenas numa palavra, pode descrever-se?

MP – Obstinado.

PJ – Para fechar esta entrevista, o que me diz o seu coração?

MP – A característica que mais aprecio nas pessoas é a humildade, humildade para percebermos que quando ganhamos algo não somos os melhores e quando perdemos não somos os piores. O caminho, faz-se caminhando e o meu coração diz-me que apesar das pedras que possamos encontrar, devemos sempre tentar da melhor maneira possível contorná-las. Percorrer o nosso caminho, sem prejudicar ninguém e sempre que possível ajudar os outros.

Quero, em meu nome pessoal e em nome da Gazeta da Beira, dizer-lhe que foi uma enorme honra, Marco Pereira! Desejo-lhe a continuação de um excelente trabalho e MUITO OBRIGADA!

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *