Francisco Queirós

O 25 de Abril é “Nosso, do Povo”: nunca teve, tem ou terá Dono!

O 25 de Abril é todos os portugueses! Não é propriedade seja de que governo for nem propriedade partidária por muito que tenha sido e continue a ser apropriado pela esquerda e pela esquerda radical! Se o 25 de Abril tivesse donos, não seriam, com toda a certeza, os partidos de ideário não democrata, ou as personalidades antidemocráticas de 74 ou de hoje, por muito que se enfeitem de cravos ou de condecorações.

É nosso e devemos reivindicá-lo. Cada um de nós. Foi uma revolução de matriz democrática, e foi também e é ainda uma ideia de liberdade que se dilata enquanto se a vive. E nunca mais do que agora essa liberdade maiúscula, valor e inspiração de Abril, se viu tão ameaçada! Nunca se dê a Liberdade de Abril como adquirida e irreversível: porque não o é e a história ensina-nos isso mesmo!

A História é ciência que nos permite conhecer o passa, compreender o presente e preparar/antever o Futuro!

Desprezar os ensinamentos da História é condenar-se a um futuro incerto e potencialmente caótico! Sem que para o mesmo haja preparação e soluções!

Em 1974, Francisco Sá Carneiro, democrata, liberal, europeísta, convidou Paulo de Carvalho para fazer hino do PPD. O hino que todos sabemos de cor: paz, pão, povo e liberdade; todos sempre unidos no caminho da verdade. As questões que hoje ponho são: onde está essa “Bandeira” de Abril?

O novo/velho Governo tomou posse. Agora tem maioria absoluta. PCP e BE caíram na irrelevância…

As políticas são mais que previsíveis. O Orçamento antes chumbado é o mesmo que agora vai ser aclamado… o Estado está refém de um Golias para que não temos David que nos salve quando, fundamental, seria substituir o clássico situacionismo socialista por uma agenda reformista, estruturalmente reformista!

E dei-me por mim a pensar… aquela “Bandeira” de Abril de paz, pão, povo e liberdade está, provavelmente, na Suécia! Onde o estado social, estado providência, funcionou: foi o grande corrector das desigualdades; o garante de saúde e educação de qualidade para todos; garante de alta empregabilidade; de uma fortíssima classe média. A própria crise dos anos 90 serviu de motor para a profunda reforma do estado sueco, demasiado pesado e disfuncional à época, sem alastrar de epítetos «FACHO» ao governo aquando das privatizações e da flexibilidade laboral. A nossa social-democracia enraíza-se no tronco comum dos socialismos, ou seja, nasceu marxista. A social-democracia sueca nasceu na igreja, reforçou-se com a industrialização e o capitalismo, e cresceu pró-mercado. Se o estado social teve modelos eficazes e com capacidade de adaptação à realidade económica, o sueco foi um deles. O nosso faliu – alguém avise o PS, se faz favor!

28/04/2022


 

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