EDITORIAL 825
Lafões tem dois dos vencedores do Prémio “Cinco Estrelas Regiões”
O nosso País é, reconhecidamente, um território de grande espessura humana, paisagística e cultural. As economias regionais e o bem-estar das populações, sobretudo no interior e nas áreas rurais, não têm sido suficientemente acauteladas e promovidas, notando-se claramente a falta de um verdadeiro e participado processo de descentralização.
Contudo, as características culturais, paisagísticas e patrimoniais, onde podemos incluir a gastronomia, a vitivinicultura e a afabilidade das comunidades, são de uma extraordinária riqueza, preservadas ao longo dos tempos e, com muito esforço, pelas gerações mais recentes.
Por tudo isto, certamente, a nossa região de Lafões obteve, recentemente, o reconhecimento de duas “marcas” com Prémios “Cinco Estrelas”. Uma na área do património, ligado às suas incríveis aldeias serranas, e outra da sua gastronomia, associada ao trabalho dos seus agricultores na criação de um produto natural de qualidade única: respetivamente, a Aldeia da Pena e a Vitela de Lafões.
“Cinco Estrelas” é um sistema de avaliação que mede o grau de satisfação que os produtos, serviços e marcas conferem aos seus utilizadores. Estes estudos de avaliação, que pretendem identificar o que de melhor há numa região, incidem numa amostra representativa da população portuguesa de 425.000 indivíduos. O objetivo é conferir visibilidade, reconhecimento, proximidade e, de certo modo, contribuir para a promoção desses produtos das pequenas economias regionais.
Resta saber o que podemos e devemos fazer com esses prémios. Se ficamos pela constatação e pelo agradável sentimento de que algo feito por nós e pelos que nos precederam foi reconhecido como elemento tipológico de qualidade nacional e internacional, ou se encaramos esses prémios como uma espécie de estímulo para desenvolver o que tanto trabalho deu a fazer ao longo de muitos anos, em geral em condições pessoais duríssimas, e que não se perca por inação, por ilusões sobre a estratégia a ter no desenvolvimento regional.
É preocupante perceber que a Vitela de Lafões está a desaparecer, enquanto tal, apesar de ter uma certificação internacional de que ninguém cuida ou de passar a ser apenas mais uma vitela arouquesa, sem diferenciação. Ou que as nossas aldeias, independentemente da beleza que a Aldeia da Pena consegue, estão em abandono, despovoamento e sem apoios decisivos para manter com qualidade alguma população ligada a formas tradicionais de vida.
Tudo isto é possível e desejável. Temos vários exemplos positivos noutras geografias e é isso que torna diferenciado e atrativo o nosso património. Sem se cair na lamentável ideia de que o importante é dar o nome de Viela de Lafões a um prato que, na realidade, nada tem a ver connosco, ou de se tornarem aldeias numa espécie de ridículas disneylândias de 5ª categoria.
Será que as entidades locais, regionais e nacionais com responsabilidades nestas matérias têm cumprido satisfatoriamente os seus papéis? O que se passou na última Bolsa de Turismo de Lisboa – BTL, uma referência nacional e internacional para o turismo, não terá sido um bom indicador: o pavilhão da Comunidade Intermunicipal de Viseu Dão Lafões não tinha qualquer referência a estes dois produtos regionais que acabaram de ser premiados pelo “Cinco Estrelas Regiões”. É um indicador do “estado da arte” ou terá sido apenas distração?…
14/04/2022

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