Carlos Vieira
Viseenses solidários com a Ucrânia

Para além de uma campanha de recolha de medicamentos e outros bens de primeira necessidade para as populações da Ucrânia, promovida pelo município, Instituto Politécnico, Viriatos14 e a Associação dos Ucranianos de Viseu, já se realizaram, em Viseu, três vigílias pela Paz. O núcleo da Olho Vivo – Associação de Defesa dos Direitos Humanos esteve presente em todas elas, lado a lado com a comunidade ucraniana, com quem já estabeleceu laços fraternos desde há 20 anos quando foi a primeira organização a dar apoio a imigrantes, em Viseu.

Na vigília mais recente, convocada pela Amnistia Internacional, reiterei, em nome da Associação Olho Vivo, o nosso apoio incondicional ao povo ucraniano, condenando a invasão e a guerra criminosa conduzida pelo plutocrata Putin, apoiante da extrema-direita mundial, de Trump, Bolsonaro, Salvini, Le Pen e a alemã AfD. Dissemos ainda que o povo português está solidário com a resistência ucraniana porque também já sofreu na pele uma ditadura criminosa que prendeu, torturou, matou milhares de portugueses e arrastou uma guerra colonial por 13 anos, com mais de 10 mil mortos, 30 mil feridos e deficientes, só do nosso lado e 10 vezes mais mortos do lado dos combatentes e civis africanos, a cuja luta e vitória ficámos a dever a liberdade conquistada no 25 de Abril. Não há império nem superpotência militar que consiga dominar eternamente um povo que luta pela liberdade e independência, como os das nossas ex-colónias e agora o povo da Ucrânia. E alertei os ucranianos para os falsos amigos, mais interessados nos negócios da guerra do que na paz, porque se sofremos a ditadura mais longa da Europa (48 anos!) foi porque ela teve o apoio da NATO de que Portugal foi membro fundador, apesar de ser uma ditadura, e os aliados do nosso país, EUA, França e Alemanha em vez de ajudarem o povo português a conquistar a liberdade e a democracia, venderam a Salazar aviões e helicópteros de combate e as G3 (que Portugal acabaria por fabricar sob licença da RFA).

Os povos têm que exigir o fim imediato da agressão russa à Ucrânia e a continuação das negociações pela Paz; o direito de todos os povos à autodeterminação (incluíndo os do Donbass); a destruição de todas as armas nucleares; a extinção da NATO e o reforço da ONU.

17/03/2022

Comentários recentes