António Eloy
A moral e a política
A moral e a política
Uma bazuca contra o clima ou? (I)
“ O essencial é invisível aos olhos” Ste Exupéry
As nossas eleições estão inquinadas, não há nenhum programa de ecologia política que ponha o clima no centro e lute contra o crescimento, e alguém que ponha em xeque a inconstitucionalidade da legislação eleitoral em que um eleitor de Lisboa com 1,2% elege um deputado e um de Portalegre precisa de 45%, e em que mais de 25% dos votos expressos são nulos, não servem para nada!
Aqui um resumo por tópicos de um programa de ecologia política:
– Energia, desde logo é preciso pôr um ponto final no desvario do lítio, agora que é claro que esse é, como o urânio nacional que seria para as “nossas” centrais nucleares, embora se continuasse a importar quase todo, como com o lítio, residual o que temos, e sabe-se também que, em França, já se está a obter lítio com outros procedimentos a partir de geotermia, com impactos reduzidos.
Geotermia que deveria ter um papel central, para o aquecimento dos nossos edifícios, juntamente com adequado isolamento térmico e regeneração do edificado, para aí deveriam ir mais investimentos, sabendo que 17% dos portugueses não tem casas adequadas para viver e os edifícios consomem 40% da energia e emitem 36% dos gases carbónicos. E impôr por lei aos novos edifícios aquecimento a partir deste processo!
Articulado isso com um programa nacional de levantamento, e mesmo de leilões para a cobertura do edificado, em todos os municípios, de fotovoltaicos, o que evitaria os mega parques que contribuem para a destruição de potencialidades do território, com a simplificação e apoio a comunidades de energia nesse propósito, de instalação cooperativa.
-Propomos, em articulação com o sistema de transportes (que deve ser electrificado, também com a reintrodução de trolley carros onde se acabou com a possibilidade de eléctricos) investir, com a U.E. no hidrogénio que já foi considerado alternativa e poderá ser usado em transportes aéreos, nomeadamente, mas também em alternativa aos ineficazes de todos os pontos de vista carrinhos eléctricos, que só aumentam a densificação urbana.
Em ligação com a questão energética, e contra a tal bazuca, há que dizer basta, basta já, a qualquer novo aeroporto. Já temos um feito e novo para Lisboa, em Beja, só faltando ligações ferroviárias adequadas, que também iriam impulsionar a ocupação do país vaziado e que se poderia articular com a redução da Portela e a ocupação de aeroportos da zona de Lisboa (Ex: Monte Real), já existentes. E claro electrificar o que falta da nossa rede ferroviária (ainda no século XIX) e recuperar, com carruagens mais ligeiras algumas das linhas encerradas. E as ligações a Espanha!
-Taxar fortemente os “lowcost” e limitar o aparcamento de navios de cruzeiro, no quadro de uma qualificação do turismo, com apostas no cultural, paisagístico e gastronómico que também dê sentido ao país que se esvazia e recupere as cidades para o prazer e vidas dos nossos cidadãos.
Para tal, sem entrar em competências municipais, estabelecer limites aos alojamentos locais, limitar novas unidades hoteleiras e sugerir metas de produção agrícola urbana, passando pela ocupação dos telhados, imersos com produção de energia e fachadas verdes, tudo isto mediante processos de transferências financeiras com relação com a qualificação.
*Escritor, coordenador do Observatório Ibérico de Energia
13/01/2022

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