EDITORIAL 818

Devíamos ter aprendido alguma coisa antes de começar 2022

Devíamos ter aprendido alguma coisa antes de começar 2022

À beira da transição que marca o ano que finda e o novo que desponta, a incerteza sobre o que por aí virá é, porventura, o sentimento mais presente no que possamos imaginar sobre 2022.

Sabemos que vai começar com o espectro da pandemia muito presente e a dominar preocupações sobre os efeitos sociais e económicos, mas também políticos, a ponto de a mensagem de Natal do primeiro-ministro ter sido monotemática e apenas dedicada à Covid.

Estranhamente, a dita mensagem abordou a resistência à doença, a “guerra que ainda não está ganha”, mas os problemas que daí decorrem e que devem ser enfrentados com políticas públicas foram eclipsados. Talvez devido a um conveniente espírito natalício.

É certo que a abertura do novo ano também será marcada pelas eleições Legislativas antecipadas, a 30 de janeiro, que definirão o novo equilíbrio de forças parlamentares. Claro que o futuro das tais políticas públicas dependerá em muito dos resultados eleitorais e as nossas vidas, coletiva e individualmente consideradas, ficarão comprometidas por esses resultados e por essas políticas. Como diz a canção do Sérgio Godinho, afinal “Isto anda tudo ligado”!

Porém, já podemos assinalar situações de 2021 que não devemos esquecer. Entre muitas, salientar que o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados estima que, desde janeiro, mais de 2.500 pessoas morreram ou desapareceram no mar, na tentativa de chegar à Europa. Em pleno período natalício de solidariedade e humanismo, as mortes continuaram no Mediterrâneo.

Quase dois anos decorridos desde o início da pandemia, a covid-19 já provocou, até 25 de dezembro de 2021, em todo o mundo, cerca de 280 milhões de infeções e 5,4 milhões de mortos. 55% da população mundial foi vacinada com pelo menos uma dose. Em países de baixos rendimentos, apenas 6,2%. O secretário-geral da ONU criticou o “nacionalismo das vacinas”. Porém, os países ricos, sobretudo a União Europeia, têm-se oposto ao levantamento das patentes e têm apoiado as grandes farmacêuticas.

Em 2021, a importância do Serviço Nacional de Saúde ficou evidente e é inquestionável. Contudo, continua a faltar o necessário investimento, sucedem-se direções hospitalares demissionárias por falta de condições, os profissionais de saúde são desconsiderados no seu esforço, direitos e remunerações, o número de utentes sem médico de família cresce e a Lei de Bases da Saúde teima em não ser aplicada.

São apenas alguns exemplos, mas não seria essencial termos aprendido alguma coisa antes de começarmos o novo ciclo de 2022?

30/12/2021


Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *