Carlos Vieira e Castro

LÍTIO: “Petróleo verde” ou futuro negro no distrito de Viseu?...

O lítio já é explorado em Portugal há décadas para a indústria da Cerâmica, mas em minas com áreas de 5 a 10 hectares, produções anuais de 30 a 40 toneladas e com impactos ambientais enquadráveis no território, enquanto as minas de lítio para baterias requerem reservas de 50 milhões de ton. para serem rentáveis, o que exige buracos com um 1 km de raio e 300 a 400 metros de profundidade. Foi com base nestes dados que Fernando Pacheco, geólogo e docente da UTAD, um dos participantes na Conferência/Debate “Consequências Ambientais da Exploração Mineira de Lítio na Região das Beiras”, que teve lugar em Nelas, promovida pela AZU, sustentou a opinião de que a exloração do lítio em locais como Montalegre ou na Serra D’Arga nem será rentável, nem teria viabilidade ambiental devido aos impactos no território. A geóloga Teresa Fontão sustentou que “não existe na SerraD’Arga qualquer possibilidade de abrir crateras com 600 mts de diâmetro, a menos que se engulem casas e serras inteiras”.

Uma das 8 áreas potenciais para atribuição de direitos de prospecção e pesquisa de Lítio abrange os concelhos de Viseu (80% do território) , Sátão (90%), Penalva do Castelo (80%), Mangualde, Seia, Nelas (50%) , Oliveira do Hospital e Gouveia.

As minas a céu aberto, para serem rentáveis (para obter 5 gramas de lítio é preciso extraír 1 tonelada de rocha), podem provocar uma cratera com uma área de 6 km2. As Avaliações de Impacto Ambiental não devem deixar descansado um país classificado em último lugar, na Europa, na preservação das áreas protegidas, e o quarto pior lugar na preservação das espécies em vias de extinção.

Prevê-se que irá duplicar o consumo de energia até 2060, na UE, com um aumento de 6.000% na procura de baterias de lítio. A Toyota e a Volvo, duas construtoras de topo de veículos eléctricos já confessaram que a pegada carbónica dos veículos eléctricos, desde a extracção do lítio, só é atenuada no final da vida útil dos veículos. Há alternativas: baterias a sódio (abundante no mar), a ferro ou a hidrogénio verde (através da electrólise da água, utilizando fontes renováveis de energia eléctrica, como a solar). Há uma empresa nacional a produzir hidrogénio verde. As alterações climáticas não esperam por nós!

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