Rui Chã Madeira*
Etnografia musical do concelho de São Pedro do Sul - O Grupo Etnográfico de Cantares e Trajes de Manhouce – prólogo sobre Amália Rodrigues
O Grupo Etnográfico de Cantares e Trajes de Manhouce – prólogo sobre Amália Rodrigues

O Grupo Etnográfico de Cantares e Trajes de Manhouce (GECTM) surgiu das cinzas do Rancho Regional de Manhouce que tendo iniciado funções no ano de 1957, por diversas vicissitudes, extinguiu-se no ano de 1969. Durante os anos seguintes, muito embora as tradições musicais manhoucenses nunca tivessem desvanecido, não se concretizou uma associação formal que desse uma nomenclatura a essas tradições. Durante a década seguinte existiram várias manifestações organizadas relacionadas com a música de matriz tradicional produzida em Manhouce, especificamente a Sociedade dos Reis, o Orfeão de Manhouce, o Conjunto de Manhouce e o Grupo de Cantares Regionais de Manhouce. O movimento criado por esses grupos culmina, no ano de 1980, com a criação do Grupo Etnográfico de Cantares e Trajes de Manhouce, sobre o qual dissertarei com maior extensão em posteriores publicações. O artigo de hoje, como prólogo do tema GECTM, por motivo das recentes comemorações do centenário do nascimento de Amália Rodrigues, foca o momento em que os elementos do grupo foram recebidos em casa da multifacetada artista. Decorria o ano de 1984 e segundo o sampedrense Carlos Matias (…) “a Amália Rodrigues convidou o grupo e a Isabel Silvestre para ir lá a casa”. Esse feliz acontecimento teve, essencialmente, a ver com duas circunstâncias. Em primeiro lugar porque o grupo realizava atuações um pouco por todo o país e estava em fase de gravação do segundo LP “Aboio” em Lisboa e em segundo lugar, segundo o mesmo narrador (…) “Ela tinha como um dos seus alfaiates o Napoleão, que era de São Pedro do Sul e tinha vindo para Lisboa”. Carlos Matias esclareceu ainda que (…) “um dia estava lá a talhar ou a medir um fato. Uma roupa ou um vestido para ela e ouviu-se a voz da Isabel num disco e ela virou-se para o Napoleão e disse: olhe isto é uma voz muito interessante, muito agradável. Ele disse: Ah! Mas é da minha terra. É da sua terra? Se a senhora quiser que venham cá eu vou já tratar, não quer? Eu gostava. O Napoleão telefona-me e a gente combinou e lá fomos a casa da Amália”. Na fotografia que se segue, com data de junho de 1984, são identificados: Mestre António Silva, Conceição Silva, Mª Lúcia Silva, Marília Pinto (já falecidos) e Mª Lúcia Santos, Alice Barbosa, Nazaré Russo e Isabel Gomes Silvestre.
24/11/2021

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