Francisco Queirós

Estufa de frutos vermelhos, Utopias e o PAN

O PAN resulta de um fenómeno disseminado nas culturas ocidentais contemporâneas, (Portugal não consegue fugir-lhe) que radica em movimentos de consciência social para com os animais: o animal é humanizado e investido de plenos direitos!

À medida que nas sociedades mais urbanas, o isolamento, a falta de relações pessoais e o distanciamento da natureza contribuem a que os relacionamentos afetivos entre humanos sejam substituídos pela interação com animais de companhia, cresce também o ativismo animal como causa de realização pessoal.

É perturbador: um evento dramático envolvendo animais (por exemplo o incêndio nos abrigos ilegais de Santo Tirso), suscita mais indignação do que a morte por abandono e desidratação de dezenas de idosos durante um surto de COVID-19, como o que se verificou no lar de Reguengos de Monsaraz.

Em regra, qualquer eleitor com espírito crítico, ainda que viva em meio urbano consegue compreender que as atividades ligadas à terra no mundo rural: agricultura, pecuária, passando pela caça, quando exercidas de forma sustentável, contribuem para a fixação de população em áreas desfavorecidas, para a gestão da paisagem e a prevenção de fogos florestais, para a conservação da biodiversidade e para a produção de bens alimentares que não são produzidos no meio urbano.

Com uma população mundial próxima dos oito mil milhões de pessoas, advogar pela globalizada de agricultura biológica significaria ter de usar muito mais área agrícola que teria que ser ganha à floresta (então e as alterações Climáticas?) e ainda assim, tudo acabaria numa palavra FOME!

Mas ao PAN interessa esta ignorância e interessa desinformar em nome de uma agenda que não encontra cabimento no mundo real. O Mundo para o PAN oscila entre o imaginário da Disney e o” Imagine” de John Lennon

Mas quando a fantasia acaba por chocar com a realidade… e soube-se esta semana que a deputada e líder do PAN Inês Sousa Real possui Estufas de produção intensiva de frutos Vermelhos!

Nenhum mal existiria nisto, tal como nenhum mal existiria no negócio imobiliário de Ricardo Robles do BE, não fossem ambos políticos que ativamente se manifestavam contra aquelas práticas e seguissem eles próprios a velha máxima “Bem prega Frei Tomás, olha para o que ele diz, não olhes para o que ele faz.”

Contrassenso abominável: sem estufa, sem irrigação artificial e sem aquele método de produção intensiva, ela colheria não colheria mais meia dúzia de framboesas raquíticas!

Grave não é produzir frutos vermelhos em estufas. Grave é a falta de decência de quem quer fazer os eleitores acreditar que existe um modo de vida alternativo, mas que nem a própria é capaz de cumprir, porque sabe que é impossível de cumprir!

Diz a própria que em política não vale tudo… imagine-se se valesse! Provavelmente nem terá humildade de reconhecer o erro e frear a ambição pessoal. O PAN deverá voltar à irrelevância de onde nunca deveria ter saído!

24/11/2021


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