Carlos Vieira e Castro

Vitória “suada” do PSD em Viseu, com PS e BE no podium autárquico

Vitória “suada” do PSD em Viseu, com PS e BE no podium autárquico

Caricatura por Carlos Vieira e Castro

No conservador concelho de Viseu, o PSD ganhou a Câmara, mas foi uma “vitória suada”, como confessou Fernando Ruas. Ou seja, a “confiança” que Ruas escolheu como slogan desta campanha já não é assim tão maioritária.

O PS apostou forte, enviando para Viseu ministros e até o primeiro-ministro no encerramento da campanha, o que deu a muitos viseenses a sensação de que seria possível derrotar o dinossáurio “T. Ruex”, levando à transferência de votos de eleitores dos partidos à sua esquerda, BE e CDU. Mas o PS só conseguiu ganhar 4 das 25 freguesias do concelho, quando já teve 3.

Sobre os resultados eleitorais, lia-se no Diário de Viseu: “PSD e PS nos primeiros lugares enquanto o Chega e Iniciativa Liberal ficam em 3º e 4º no concelho” .(…) “os seus candidatos conquistaram 2,95% e 2,20% do eleitorado, respectivamente, fazendo melhor do que CDS, BE, PAN e CDU”.

A Rádio Jornal do Centro apresentou o BE em 6º lugar, colocando-o atrás do IL e do CDS, quando nenhum deles elegeu candidatos em qualquer órgão do município.

Acontece que o Bloco de Esquerda elegeu para a Assembleia Municipal e para a Assembleia de Freguesia de Viseu. O Chega também elegeu para a Assembleia Municipal, mas não elegeu em mais nenhum órgão. Logo, o BE teve mais eleitos do que o CH.

Aquelas análises cingem-se à contagem dos votos para a Câmara Municipal.  Porém, estas eleições não se chamam “eleições camarárias”, mas sim “eleições autárquicas”, precisamente porque os eleitores são chamados a eleger os órgãos do município e das freguesias, sendo que “os órgãos representativos do município são a assembleia municipal e a câmara. A Assembleia Municipal é órgão deliberativo do município e a sua relevância fica demonstrada nos casos em que o executivo camarário não tem apoio na maioria da assembleia municipal, o que pode resultar na reprovação das medidas aprovadas no executivo ou mesmo no chumbo do orçamento (como aconteceu no ano passado na Assembleia Municipal do Funchal).

Apesar do avanço do populismo, apoiado pelos nostálgicos da ditadura salazarista, por meia-dúzia de neofascistas, de racistas, homofóbicos e outros “idiotas úteis” da extrema-direita, o Bloco de Esquerda continua a ser a terceira força política em Viseu.

14/10/2021


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