Manuel Silva
A VITÓRIA DE MOEDAS E A ALA DIREITA DO PSD
A VITÓRIA DE MOEDAS E A ALA DIREITA DO PSD

Pouco após as últimas eleições autárquicas, a ala direita do PSD procurou separar a vitória de Carlos Moedas em Lisboa de Rui Rio e restante direcção do partido.
Pouca gente liga ao que está escrito nos programas dos partidos, seja em que eleição fôr. No entanto, no programa apresentado pela coligação “Novos Tempos” constam promessas como transporte gratuito, na Carris, para menores de 23 anos e maiores de 65 anos, seguros de saúde gratuitos para quem tiver mais de 65 anos e 24 teatros, um por cada freguesia.
Quem lesse aquelas passagens, não olhando para os símbolos partidários e as fotografias dos candidatos, diria estar-se perante o programa do Bloco de Esquerda. No entanto, entre os apoiantes e membros da coligação estão pessoas de direita radical como João Marques de Almeida e outros colaboradores do jornal reaccionário “Observador” ou Miguel Morgado, uma das pessoas mais à direita no PSD, que poderia estar no CHEGA, o lugar apropriado para gente como ele. Dir-se-ia tratar-se de um paradoxo: a direita ganhar com um programa de esquerda. Para a alt-right isso nada conta, o que importava era derrotar o PS. Aquelas promessas não serão para cumprir, porque não há dinheiro para tanto, o que desiludirá os votantes nos “Novos Tempos”.
Em Lisboa, a coligação encabeçada por Moedas teve poucos mais votos que os dos partidos seus constituintes, somados, em 2017. O PS é que baixou bastante, indo a maior parte dos votos que perdeu para a abstenção.
A nível nacional, o PS teve uma vitória com sabor a derrota, mas manteve a liderança das Associações de Municípios (ANMP) e de Freguesias (ANAFRE). Perdeu câmaras importantes para o PSD, mas ganhou outras também importantes à CDU. O PSD recuperou. Recordamos que sob a liderança de Passos Coelho, este partido perdeu muitos votos e autarquias em 2013 e teve uma derrota vergonhosa em 2017, que conduziu à demissão do seu então presidente. Com Rui Rio, os sociais-democratas suplantaram, a nível nacional, os resultados de há 8 anos, aproximando-se do PS. A subida, em termos nacionais, é claramente superior à pequena subida em Lisboa.
Tal como aconteceu com Mark Twain, a morte anunciada do CDS foi prematura, pois manteve o anterior número de câmaras (6) e, coligado com o PSD, elegeu diversos vereadores e membros de assembleias. O Chega ficou pelos 4%. O balão parece começar a esvaziar. Quem mostra tendências para desaparecer é o B.E., que descendo constantemente de eleição para eleição, mostra não ter implantação nacional, tal como a I.L.
Começou um novo ciclo? Claro que não. A chamada esquerda continua maioritária, o centro e a chamada direita, minoritários, e até às próximas legislativas muita água vai correr sobre as pontes, perdão, sob as pontes. Aquela expressão é de Jorge Jesus. Não sou plagiador como algumas pessoas da nossa terra, que colocam nas suas páginas do facebook grandiloquentes frases de diversos autores, fazendo-as passar por suas. Atenção, que o que fazem é crime!
Brevemente, haverá eleições para a presidência do PSD. Os direitinhas não se dão por vencidos. Irão procurar derrubar Rui Rio. Não é de admirar que tal venha a acontecer, pois as bases do PSD são maioritariamente de direita. Rio é social-democrata, mas além dele, poucos mais militantes e simpatizantes comungam do ideal de Sá Carneiro para Portugal.
Em S. Pedro do Sul, aconteceu o esperado, em parte, ou seja, a grande vitória do PS e de Vitor Figueiredo. O PSD obteve a maior derrota de sempre. Apenas tem duas juntas de freguesia. Foi além do esperado. Lamento que António Carlos Figueiredo, um verdadeiro social-democrata, que deu as maiores vitórias de sempre ao PSD local, registasse agora esta derrota.
Outros, responsáveis pela situação, deveriam avançar e não tu, amigo de há 50 anos.
14/10/2021

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