Entrevista a José Mário Ferreira de Figueiredo
Sonoplasta
A rubrica “Gente Que Ousa Fazer “será assente numa entrevista a alguém que tenha algo válido no seu percurso de vida. Gente que sabe o que quer e, acima de tudo, que luta por aquilo que quer. As entrevistas serão sempre encaminhadas de forma a mostrar o lado melhor que há em cada um de nós e, dentro do possível, ousar surpreender o leitor. Serão entrevistas com a marca das nossas gentes, da região Viseu Dão Lafões, de todos os quadrantes e faixas etárias. Vamos a isso!

“É sempre gratificante podermos mostrar os nossos trabalhos, é extraordinário quando, em algum momento, consigo captar o interesse das pessoas, partindo para uma conversa sobre a razão daquele tema, aí sinto que o trabalho valeu a pena.”
• Paula Jorge
Ficha Biográfica
Nome: José Mário Ferreira de Figueiredo
Idade: 57
Profissão: Funcionário Público (Sonoplasta)
Livro preferido: O Pequeno Príncipe de Antoine de Saint-Exupéry
Destino de sonho: Egito
Personalidade que admira: Zahi Hawass.
Muito obrigada, José Mário Figueiredo, por mostrar disponibilidade para esta entrevista da rubrica “Gente Que Ousa Fazer”.
Paula Jorge (PJ) – Comecemos pelo princípio.
Pode descrever o seu percurso académico e o profissional?
José Mário Figueiredo (JMF) – Tenho o 12.º ano. Percurso Profissional: 2006 – Assistente operacional (Sonoplasta). 2021 – Assistente Técnico (Sonoplasta). Restantes áreas: Autodidata.
PJ – Desde tenra idade começou a desenvolver a vertente artística da pintura. Diga-nos como tudo começou?
JMF – Desde jovem sempre tive interesse pelo desenho. Tinha 12 anos, passei uns dias no hospital e tinha de encontrar uma forma de passar tempo, então resolvi pegar num bloco de papel e num lápis e mãos à obra, resolvi desenhar a caricatura de todo o pessoal que fazia parte daquela enfermaria, mas deixava-o sempre escondido debaixo da mesa de cabeceira, com receio que eles o vissem e até levassem a mal. Alguém resolve comentar que eu estava a fazer as caricaturas, deixam-me dormir e resolvem espreitar o bloco de desenho e lá estavam eles a reconhecerem-se nas caricaturas por entre risadas.

PJ – Em que altura decide começar a mostrar ao público os seus trabalhos?
JMF – Fiz uma ou duas mostras dos meus desenhos, isto em 1981 numa papelaria que existia na Rua Serpa Pinto. Mais tarde, já em idade de mancebo também mostro a aptidão ao desenho no serviço militar BETP, Base Escola de Tropas (Para-quedistas) onde alguns trabalhos acabaram por ser transformados em esculturas e estas estão na Base Aérea de S. Jacinto Aveiro, BOTP 2 (Base Operacional de Tropas Para-quedistas), no período de 1985 a 1989. Mais recentemente a partir de 2008, por incentivo de algumas pessoas amigas.

PJ – Mais recentemente tem mostrado o gosto pela pintura abstrata (Expressionismo) e tem participado em alguns eventos regionais com a mostra e exposição de alguns trabalhos. Pode falar-nos sobre esta experiência?
JMF – É sempre gratificante podermos mostrar os nossos trabalhos, é extraordinário quando, em algum momento, consigo captar o interesse das pessoas, partindo para uma conversa sobre a razão daquele tema, aí sinto que o trabalho valeu a pena. Alguém se próxima da pintura, meia desconfiada, passo-a-trás, passo à frente, quase medindo rigorosamente a distância entre ela e a tela, parece até que procura uma focagem clara e nítida do que vê…

PJ – Fale-nos sobre o trabalho riquíssimo que tem feito a propósito do homem estátua.
JMF – Sempre me fascinou esta forma de artes de rua. Quando me foi lançado um desafio há uns anos atrás, pela gerência da Pastelaria Dom Afonso Henriques, resolvo começar a representar algumas personagens. A partir daí, encontro uma forma de dar a conhecer a História, lendas, personalidades da nossa região de uma forma diferente, mais interativa, despertando assim o interesse nas pessoas de tentar saber mais sobre estas personagens, o que representam e de que forma estão relacionadas com o local. Sinto uma satisfação enorme quando interagem e me perguntam algo relacionado com a personagem em questão. Olham-me como se tivessem sede de ouvir.

PJ – Tem participado e utilizado também o gosto pelas pinturas faciais. De que forma tem explorado esta sua vertente?
JMF – Quando me é possível, costumo colaborar e participar em alguns eventos, relacionados com épocas festivas, promovidos pelo Município. De facto, existe muita oferta nesta vertente de pinturas faciais. No entanto, procuro sempre fazer coisas diferentes.

PJ – O mundo artístico leva-o a conhecer, certamente, muita gente. Fale-nos sobre esta experiência.
JMF – É sempre enriquecedor conhecer novas pessoas, vamos sempre aprender alguma coisa de novo, não só sobre a pessoa, mas também do local de onde é oriunda, dos seus costumes, a sua cultura. Assim, desta forma, existe aqui uma troca de conhecimento. Gosto quando conheço pessoas que me surpreendam pela sua simplicidade e honestidade, pelo seu estar e saber ouvir. E gosto de rever as pessoas passado algum tempo. Mas, como é natural, identificamo-nos mais com umas de que com outras.
PJ – Diga-nos quais os temas que mais gosta de pintar, assim como das suas motivações.
JMF – Eu gosto muito de dar cor à minha terra, adoro fazer trabalhos que identifiquem algo, um local, um momento, relacionado com a minha terra, mas, de modo geral, gosto de todos os trabalhos e aplico-me na sua execução por igual, da melhor maneira que consigo fazer. Gosto do abstrato. Há alguns trabalhos que temos de estar com inspiração, outros com determinados sentimentos. Por vezes, são os desafios que me motivam.
PJ – Quer partilhar connosco outro projeto em que esteja envolvido e ainda não tenhamos falado?
JMF – Nestes últimos anos tenho colaborado com a Universidade Sénior de São Pedro do Sul na disciplina de teatro. E com o tempo livre que me resta, que já é escasso, costumo dizer: tento fazer o melhor que sei e posso no que me envolvo.
PJ – Para além destas ocupações, que outras paixões nutre, que o completam enquanto pessoa?
JMF – Música, teatro.
PJ – Apenas numa palavra, pode descrever-se?
JMF – Cauteloso.
PJ – Para fechar esta entrevista, o que me diz o seu coração?
JMF – Que as pessoas deviam abraçar-se mais e por mais tempo.
PJ – Quero, em meu nome pessoal e em nome da Gazeta da Beira, dizer-lhe que foi uma enorme honra, José Mário Figueiredo. Desejo-lhe a continuação de um excelente trabalho e MUITO OBRIGADA!
Peço-lhe que deixe uma mensagem breve a todos os nossos leitores.
JMF – Tentem fazer tudo o que vos dá gosto! Porque o tempo escorre-nos por entre os dedos das mãos.
30/09/2021

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