Conselho de Segurança Nuclear espanhol não autorizou produção de urânio em Retortillo (Salamanca), a cerca de 50 km de Portugal

O Conselho de Segurança Nuclear (CSN) espanhol negou autorização para a construção de uma fábrica de concentrados de urânio em Retortillo (Salamanca), a cerca de 50 km de Portugal, na zona do Parque Natural do Douro Internacional, devido à baixa confiabilidade e grandes incertezas da análise de segurança da instalação radioativa em aspetos geotécnicos e hidrogeológicos, bem como às inúmeras deficiências detetadas ao longo da avaliação.

A não autorização da fábrica de concentrados de urânio inviabilizou, igualmente, a projetada mina uranífera a céu aberto naquela mesma zona junto à fronteira com Portugal.

O Movimento Ibérico Antinuclear (MIA) considerou, em comunicado, que esta decisão marca o fim do projeto mineiro da empresa Berkeley Minera España, em Retortillo, e, com ele, a exploração de urânio em Espanha. “O CSN deu um grande passo, com esta decisão, colocando como prioridade o ambiente e as populações, em detrimento de projetos especulativos que aumentariam perigosamente a contaminação radioativa por via fluvial e aérea”, refere o comunicado.

Várias foram as iniciativas contra a abertura das minas de urânio e respetiva fábrica de concentrados na zona de Retortillo, com a participação de movimentos portugueses preocupados com a proximidade daquela exploração. O MIA destaca, entre outras, a visita a 19 de Fevereiro de 2018 da Comissão Parlamentar de Ambiente portuguesa, então presidida pelo deputado Pedro Soares, aos terrenos onde a empresa Berkley pretendia avançar, que confrontou as autoridades portuguesas e espanholas com a exigência de cancelamento do projeto, teve papel decisivo na projeção deste problema junto da opinião pública e das autarquias das regiões do interior.

29/07/2021


Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *