Faleceu Américo Martins, o tipógrafo que também foi um “guardião do templo”

Américo Martins, tipógrafo de S. Pedro do Sul, com uma vida inteira dedicada aos jornais, faleceu no passado dia 6 de julho, aos 84 anos.

Depois de toda uma vida ligada à tipografia, em que foram vários os jornais que passaram pelo seu estabelecimento de S. Pedro do Sul e pelas suas mãos, Américo Martins dedicou-se a colecionar e a encaderná-los – “Gazeta da Beira”, “Notícias de Lafões”, “Tribuna de Lafões” – como se de uma pedra rara se tratassem.

Dizia que os jornais “fazem a ligação entre o passado e o presente” e que é importante “dar a conhecer a história às gerações vindouras”. Tratou dos arquivos da “Gazeta da Beira”, mais de 30 anos de história do jornal, que é o mesmo que dizer cerca de 700 edições. Um trabalho árduo e de uma elevada dedicação. Os colaboradores da “Gazeta da Beira” chamavam-lhe carinhosamente o “guardião do templo”, tendo sido entrevistado pela jornalista Patrícia Fernandes para a Edição n.º 679 de julho/2015.

Américo Martins emigrou para Angola na sua juventude à procura de melhor vida. Depois de um estágio de oito meses no Porto e de ter trabalhado no “Tribuna de Lafões”, o tipógrafo chegou a Luanda preparado para o desafio de fazer sair o vespertino “ABC – Diário de Angola”, lançado em 1958, com oito páginas, e considerado um jornal que não alinhava com o regime de então.  A tipografia que imprimia o “ABC” foi a mesma que fez os cartazes de Humberto Delgado em Angola.

Poucos anos depois, Américo regressou para se casar. Comprou uma tipografia em S. Pedro do Sul onde tinha trabalhado antes de emigrar. Para além dos trabalhos comerciais, continuou a compor e a imprimir jornais. No total eram sete as edições com que trabalhava.

Américo Martins era um homem sereno, afável e dedicado, com um claro entendimento do papel da sua atividade profissional na comunidade e da sua elevada relevância social.

A “Gazeta da Beira” manifesta profunda gratidão pelo privilégio da sua colaboração e convívio, e apresenta sentidas condolências à família.  Américo Martins foi um amigo dos jornais, um amigo inesquecível, o “guardião do templo”.

Recordar a entrevista com Amério  Martins:

https://gazetadabeira.pt/uma-vida-a-sentir-o-cheiro-dos-jornais/

15/07/2021


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