Manuel Silva

REGENERAÇÃO DO CAPITALISMO

Riqueza da Nação de Seymour Fogel (pintor)

O presidente americano Joe Biden propôs que todas as empresas, a nível mundial, passassem a pagar um mínimo de 15% de IRC. A ideia teve acolhimento no G7 e no G20.

O objectivo é evitar que as grandes empresas passem as suas sedes para países com uma fiscalidade mais baixa, como acontece, aliás, com algumas empresas portuguesas.

Também a globalização se tornará mais humanizada, não se deslocando as multinacionais para países mais pobres, cujos impostos são mais atractivos, colocando no desemprego e/ou a ganhar salários baixos os trabalhadores dos países ricos. Há quem chame a isto trabalho de casa, aumentando as desigualdades sociais e a concentração de riqueza nas mãos dos mais poderosos…

O estado a que o capitalismo chegou, atravessando várias crises, a pior das quais ocorreu em 2008 e nos anos seguintes, deve-se ao neo-liberalismo, à desregulamentação e à diminuição da fiscalização da concorrência. As teses liberais, na economia, falharam, criando revolta entre os trabalhadores. Na América Latina estão de regresso governos de esquerda marxista.

O capitalismo sempre teve e tem uma enorme capacidade de adaptação a novas circunstâncias, adoptando aspectos do socialismo e mesmo do comunismo, do Maio de 68 e de tantas outras utopias que, apesar de derrotadas, ajudaram a mudar o mundo para melhor, em especial para os operários e demais trabalhadores. Foi este capitalismo de face humana que derrotou o comunismo.

Perante as alterações climáticas, muitas empresas apostam na economia verde. Agora, os grandes do mundo procuram levar à prática políticas mais sociais e obrigam os muito ricos, as grandes fortunas, a pagarem mais impostos, como se vê na pátria do capitalismo, os EUA, com Joe Biden, após a experiência traumatizante de Donald Trump. Joe Biden pode considerar-se um verdadeiro social-democrata, segundo os parâmetros ideológicos europeus.

Parece estar de volta o capitalismo inteligente, o que aposta na qualidade dos seus produtos e na formação dos trabalhadores e não em baixos salários, até porque os empresários sabem que quanto maior fôr a ascenção social mais produtos vendem e mais dinheiro ganham.

A actual fase de regeneração do capitalismo deverá passar igualmente pela melhoria salarial e das condições de trabalho nos países mais pobres, bem como pela democratização, ainda que gradual, de todos os países com regimes autoritários ou ditatoriais, que assinaram os acordos da globalização.

24/06/2021


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