Crónica do Olheirão por Mário Pereira

Porque não desconfinam os serviços públicos nem os bancos?

Já vamos, na quarta fase do desconfinamento, mas não há meio de os serviços públicos e os bancos retomarem alguma normalidade no seu funcionamento.

Num momento em que grupos de 6 pessoas podem ir almoçar em conjunto a um restaurante e podemos fazer compras com o mínimo de restrições é estranho que:

– Persistam limitações às marcações de consultas nos médicos de família

– Seja preciso fazer marcação para renovar ou levantar o cartão de cidadão na conservatória, mesmo que ao chegar não haja ninguém lá dentro.

– Nos bancos, além de limitações dos horários em que se pode depositar ou levantar dinheiro, só possa entrar uma pessoa de cada vez, ainda que exista muito mais espaço lá dentro do que nos espaços exteriores onde as pessoas têm de esperar em pé, ao frio ou ao sol e, quando chove, à chuva.

– O Serviço de Estrangeiros e Fronteiras leve meses a atender pessoas ao ponto de elas ficarem em situações ilegais, por não poderem tratar dos seus documentos, e que marque atendimentos para locais a 300Km de distância da residência das pessoas.

– Que não se realizem, atempadamente, juntas médicas para atribuição de incapacidades, impedindo assim pessoas em grandes dificuldades de receberem os apoios sociais a que têm direito.

Acresce a isto que os serviços de agendamento são uma lástima.

Há telefonemas que não são atendidos, é fácil descarregar a bateria de um telemóvel enquanto esperamos, podemos ser encaminhados para sites que não funcionam ou pedirem-nos para preencher formulários que não se encontram em lado nenhum.

Não sei se foi esquecimento do governo, se é receio da pressão dos sindicatos ou, se como me parece, estão a experimentar até que ponto as pessoas aguentam a redução dos serviços públicos e das agências bancárias.

Esta situação, que traduz uma profunda desconsideração por quem precisa de recorrer aos serviços, é, como se dizia nas nossas terras, “uma pouca vergonha”.

Se aplicássemos os mesmos cuidados e regras nas lojas, restaurantes, barbeiros, ginásios e afins nada funcionaria. Felizmente, nessas situações as regras foram pensadas no interesse dos utilizadores e não apenas no interesse de quem lá trabalha.

Precisamos de ter respeito pelo vírus e manter todos os cuidados, mas merecem tanto respeito os jovens, ainda não vacinados, que nos atendem nas caixas dos supermercados ou nos restaurantes como os médicos, os enfermeiros, os funcionários das repartições e os bancários.

Diga-se que câmaras municipais já repuseram a normalidade nos seus serviços, mas é preciso que os senhores presidentes e demais autarcas se manifestem contra estas situações, tal como deveriam fazer os nossos deputados que ainda não ouvi falarem sobre uma questão que afeta todos os cidadãos, sobretudo os mais pobres e desfavorecidos, mas que, em última instância, prejudica toda a economia.

27/05/2021


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