Crónicas do Olheirão por Mário Pereira

O governo esqueceu-se da reabertura dos centros de saúde

 

Na semana passada liguei para o centro de saúde para marcar uma consulta com o meu médico de família e a funcionária que atendeu disse-me que não marcavam consultas.

Insisti que tinha análises e exames para mostrar ao médico, ao que ela respondeu que teria de deixar os exames e análises no centro de saúde e depois o médico entraria em contacto comigo.

Como cidadão obediente fui, alguns dias depois, ao centro de saúde para entregar os ditos exames.

Numa das portas de entrada um papel dizia “não entrar” e na outra estava um grupo de várias pessoas à espera e a porta fechada.

Voltei à primeira porta e entrei, de pronto uma funcionária que estava dentro, me diz que não posso entrar. Depois de uma pequena troca de argumentos lá me deixou ir ao guichet entregar os exames.

A justificação que a funcionária do guichet me deu para a manutenção destes procedimentos foi o COVID, porque, segundo ela, embora todo o pessoal do centro de saúde tenha sido vacinado, há o risco de transmitirem o COVID a alguém.

Isto aconteceu na semana em que as creches, jardins de infância e escolas do primeiro ciclo já funcionam e não em Janeiro.

Tendo todos os médicos, enfermeiros e demais funcionários sido vacinados, fará sentido que os centros de saúde mantenham este tipo de restrições, a minha situação não é caso único, quando os professores e pessoal das creches, jardins de infância e das escolas já estão a trabalhar com grupos de crianças sem serem vacinados?

Não será isto também uma falta de empatia para com as pessoas que ao longo desta pandemia mantiveram os lares de idosos a funcionar e as lojas abertas?

Fará sentido que eu possa ir ao barbeiro, ao dentista e, a partir da próxima semana, ao restaurante e não possa ter uma consulta presencial com o meu médico de família?

Desculpem lá qualquer coisinha, mas não vejo qualquer razão para que os centros de saúde não voltem ao modelo de funcionamento pré-covid, tanto mais que, segundo a minha experiência, antes do COVID os amontoados de gente, habituais há alguns anos, tinham desaparecido, pelo que é com tristeza que os vejo de volta em consequência de regras, cujo objetivo seria, precisamente, evitá-los e com isso os contágios.

Estando os profissionais dos centros de saúde vacinados os riscos associados ao COVID, para os funcionários e utentes, são claramente inferiores ao de teremos um acidente na estrada, um problema cardiovascular ou um cancro que não é diagnosticado a tempo.

A única razão, plausível, para os centros de saúde não voltarem à vida normal, que no fundo é o que todos queremos, só poderá ser o facto de a Resolução do Conselho de Ministros para o desconfinamento ter esquecido de mencionar as datas para a reabertura dos centros de saúde.

Ed. 802 (25/03/2021)


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