Manuel Silva

Os “benefícios” da globalização

Na edição do passado dia 12 de Março do jornal “Expresso”, o seu colaborador e creio ainda administrador da SIC, Luis Marques, mencionava um documentário da Netflix que se refere ao encerramento de uma fábrica da General Motors na cidade americana de Dayton, que foi comprada por uma fábrica chinesa  produtora de vidros de automóveis.

Os patrões chineses aumentaram a jornada de trabalho para 12 horas, sendo o vencimento dos trabalhadores americanos reduzido a metade do que era na General Motors. E está a China empenhada em criar a sociedade sem classes…

Os donos da fábrica impuseram ainda a inexistência de sindicato na mesma. Em todos os regimes comunistas os sindicatos, à semelhança dos sindicatos corporativos salazaristas, são controlados pelo poder. Por isso, as greves estão proibidas em tais regimes. Lá dizia Estaline “os sindicatos são correias de transmissão do partido”.

O sindicato americano representativo daqueles operários exigiu um referendo interno sobre a existência ou não de um sindicato. A maioria votou pela inexistência do sindicato, com medo de perder o que ainda restava, salário reduzido a metade e aumento da carga horária. Foi a este ponto que chegou o capitalismo selvagem nos dias de hoje, mais parecendo o capitalismo da revolução industrial, que provocou em França a “revolta dos iguais” ou a Comuna de Paris, a qual ocorreu há 150 anos. Não falo nas revoluções soviética de 1917 e chinesa de 1949, porque quando ocorreram, o capitalismo era incipiente nesses países. A maioria da população trabalhava na agricultura, sendo as relações de produção semi-feudais. Por tal motivo, o fundador do MRPP, Arnaldo Matos, chegou à conclusão de que não houve verdadeiras revoluções comunistas em tais países, mas mudanças de capitalismo privado para capitalismo estatal.

Estamos a regredir e muito nos direitos sociais dos trabalhadores, as desigualdades aumentam, as classes médias estão a ser destruídas, incluindo nos países mais ricos. São estes os “benefícios” da globalização económica e da deslocalização de empresas. Porque não foi acompanhada aquela globalização pela globalização de direitos sociais? Porque não estipularam os acordos então assinados que só países com regime democrático poderiam aderir aos mesmos? O porquê está aqui à vista.

Os trabalhadores devem combater em toda a parte estas situações. Embora já não seja marxista há muitos anos, entendo que toda esta gente explorada deve seguir a célebre frase de Karl Marx “nada tendes a perder, senão as correntes que vos oprimem”.

Ed. 802 /25/03/2021)


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