Manuel Silva

Faleceu Carlos Antunes

No passado mês de Janeiro, faleceu Carlos Antunes, antigo dirigente do PCP, das Brigadas Revolucionárias (BR) e do PRP (Partido Revolucionário do Proletariado), com a idade de 82 anos.

Carlos Antunes iniciou a sua actividade no PCP nos anos 50, tendo chegado rapidamente a funcionário e membro do Comité Central daquele partido.

Em 1968, quando trabalhava de perto com Álvaro Cunhal, o Maio de 68 e a invasão da Checoslováquia pelas tropas do Pacto de Varsóvia, em Agosto do mesmo ano, fizeram-no entrar em choque com o secretário-geral do PCP, o qual abandonou. Naquele tempo, os jovens que saíam do PCP, faziam-no pela esquerda e para a esquerda.

Em 1970, Carlos Antunes e Isabel do Carmo, sua companheira, fundam as Brigadas Revolucionárias (BR) e passam à luta armada, como outros grupos esquerdistas, que, em desespero, na sequência do falhanço do Maio de 68, passam ao chamado terrorismo excitativo, considerados por Cunhal como “radicais pequeno-burgueses de fachada socialista” e provocadores isolados das massas, que criam condições para a repressão burguesa”, pelos maoistas.

As BR praticavam actos bombistas, mas sempre tiveram o cuidado de não matar ninguém, à semelhança da LUAR.

Mais tarde, as BR criam o PRP, que participou activamente no PREC, defendendo o assalto ao poder pela violência revolucionária.

O PRP, um dos derrotados no 25 de Novembro de 1975, passa novamente à luta armada.

Os guerrilheiros do PRP assaltaram bancos, voltaram à actividade bombista e mataram ainda um agente da PJ, no Porto. Esta gente lutou contra a democracia e o Estado de Direito, tendo, em consequência, ido parar à cadeia por uns bons anos, incluindo Carlos Antunes e Isabel do Carmo, que ainda na prisão, no final dos anos 70/princípios dos anos 80, extinguiram o partido, admitindo que a sua luta falhou. Houve um grupo, no PRP, que não se conformou e de seguida participou nas FP 25.

Quando Carlos Antunes, Isabel do Carmo e demais militantes do PRP estiveram presos e fizeram greve da fome, tiveram uma onda de solidariedade de pessoas e forças à esquerda do PC. Muita dessa gente está no BE, outros continuam a ser de esquerda revolucionária. Porque não se ouviu uma palavra sua quando morreu Antunes? Estão arrependidos do que fizeram? Que se chegue à conclusão de que se errou e se faça uma auto-crítica, é uma coisa, outra é ser arrependido, como “revolucionários” que delataram camaradas nas prisões ou em tribunais, para obterem uma pena mais leve, tendo praticado os mesmos crimes dos delatados, como aconteceu com outras organizações idênticas em outros países. Quanto ao Bloco de Esquerda, admito que uma demonstração de afecto por Carlos Antunes possa pôr em dúvida a sua conversão à social-democracia…

Àqueles que foram do PRP ou apoiaram as suas lutas, que me lerem, informo-vos que Carlos Antunes morreu. Ainda se lembravam dele, por acaso?

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