Crónicas do Olheirão por Mário Pereira

A falta de vacinas e a falta de tino

O grande problema com as vacinas contra o COVID 19 é a falta delas.

É isso que gera a discussão sobre as prioridades, pois a prioridade é vacinar todas as pessoas. Estabelecer prioridades obriga a escolhas e cada um de nós, se pudesse faria as suas.

Está muito instalada a ideia de que as escolhas do governo são por natureza piores do que as dos “especialista”, incluindo os anónimos das redes sociais.   Embora não veja muita televisão ainda vejo dezenas de especialistas a sério e de especialistas em “bitaites” cada um com a sua opinião.

Havendo opiniões para tantos gostos, prefiro acreditar que as escolhas feitas pelo governo são as que melhor equilibram as necessidades com os recursos existentes, pois quem as toma corre riscos, ao contrário dos “especialistas” que podem dizer uma coisa hoje e outra amanhã, porque ninguém se lembra do que disseram, por  vezes parece que nem eles se lembram.

A vacinação está a dar origem a problemas e abusos, que embora regra geral sejam de pequena escala e muitas vezes relacionados com o aproveitamento das vacinas, deverão ser sancionados. Contudo, convém não esquecer que algumas vacinas são conservadas a 70 graus negativos e que uma vez descongeladas são ministradas ou inutilizadas.

Estes problemas revelam a nossa natureza e os nossos problemas enquanto sociedade, mas o modo como são noticiados é também revelador dos problemas profundos que afetam o jornalismo há muitos anos. Os jornais e televisões, estão viciados em sangue e como os vampiros, não descansam enquanto não mordem as vítimas no pescoço.

Até o Expresso, que é, reconhecidamente, um jornal de referência em Portugal e no qual me habituei a confiar, publicou na sua edição online uma notícia que basicamente atacava um certo presidente da junta de freguesia, também presidente da IPSS da terra, porque foi vacinado antes dos trabalhadores da IPSS.

Grande título, para depois dizer que ele foi vacinado quando os utentes e os trabalhadores do lar de idosos e da unidade de cuidados continuados e que não foram vacinados os trabalhadores do apoio domiciliário, esquecendo de dizer que essas são as regras.

Este é só um exemplo de como até o jornalismo de referência se entusiasma com o sangue.

Entusiasmada anda também a bastonária dos enfermeiros com o resultado do “seu” Chega nas eleições, pois agora adotou como objetivo e ocupação desacreditar o processo de vacinação.

A prioridade dela, como boa populista, é desacreditar o governo e as instituições, levando esta missão tão a peito que começa por desacreditar quem devia representar.

Que se saiba a ordem dos enfermeiros só tem servido para promover a senhora bastonária e obrigar os enfermeiros a pagar uma quota.

Mário Pereira – Fevereiro 2021

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