António Gouveia

Chega de distração, Chega de corrupção …

Confinados desde março, preocupamo-nos cada vez mais. Após o embate e embasbacamento que o vírus provocou sem avisar, conhecidas algumas das manhas, também teve a virtude de nos submeter com tempo para pensar no futuro, doença e morte, realidades que nos afligem. Atadas algumas pontas soltas, apercebemo-nos melhor da impreparação do país, nossa e do governo, sem planos e sempre atrás dos prejuízos; sem planeamento, a administração pública não sabe o que fazer, os melhores aposentaram-se ou saíram para o estrangeiro, aos concursos correm iliteratos licenciados,  muitos nem sequer sabem ler os anúncios e o que lhes é exigido, nada é como dantes, por isso estamos na cauda da Europa, a descer, mão estendida à caridade dos frugais, à volta da quadratura do círculo, tática de faz de conta, labirinto opaco e sem sinalética donde não conseguimos escapar, só no séc. XV/XVI, quando saímos barra fora para  descobri, ensinar e aprender com outros mundos e outros povos.

Li no NV duas entrevistas, a cara e a coroa do que passa: na do líder distrital do PS, José Cruz, percebi um PS sem nomes e garra em Oliveira Frades, outra cruz para carregar. Ainda assim, o PS tem sorte e os favor do povo, as sondagens correm a favor, não tanto por encomenda como diz a oposição e do muito mau que temos visto, ‘fura filas’ das vacinas a corromperem e a ‘borrarem-se’ por pouco, foi preciso o PR impor um almirante prestigiado para pôr ordem no regabofe. Esta vitória de Pirro e nossa derrota, acontece por demérito e falta de comparência da oposição, parece que os eleitores, em protesto e desespero, fugiram todos para o Chega. O líder PSD, José Batista, a aquecer motores para as autárquicas, tem nome na cabeça para o executivo, quere-o forte em Oliveira de Frades. É avisado, executivos fortes, em 41 anos, nunca se viram, fortes as lideranças unipessoais, mais ou menos impressivas, o que não impediu arrasar com maiorias eleitorais durante quatro décadas (não duas, como referiu). Foi por isso, não teve tempo para rever o que de mau andou a fazer, até Khrushchov, 40 anos após a revolução russa, teve a coragem de denunciar asneiras e rever os planos e políticas de Estaline, a mais desastrosa, a agrária dos Gulag. Em Oliveira, o programa importante do abastecimento de água nunca mereceu ponto de ordem de revisão séria na agenda, só remendos. Maus.

Do problema da economia e empresas, só ouvimos moratórias e poucas soluções, a um país assim, não tarda, de moribundo e confinado, cai-lhe o prefixo e morre. Lembro-me da ressurreição de Lázaro, precisamos saber do Senhor, anda em Bruxelas a tratar da liderança da UE, cá e lá num virote, tem ministros infetados, outros para desinfetar, não sabe para onde se virar, ganha nas sondagens, mas já lhe andam a rezar na pele. A bazuca é o objetivo, chega para as encomendas, tantos milhões Cascais gastou em material de higiene? Perdemos tempo com o Chega e não gritamos: Chega de distração, de assobiar para o lado, de corrupção e falta de vergonha, de indolência e incompetência, de desculpas esfarrapadas.

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