Rui Chã Madeira

Etnografia musical do concelho de São Pedro do Sul - “Os amigos de Manhouce” – Primeira parte

“Os amigos de Manhouce” – Primeira parte

• Rui Chã Madeira (Doutorando em etnomusicologia pela Universidade de Aveiro)

Dissertar sobre os amigos de Manhouce implica inevitavelmente trazer para a narrativa um conjunto de indivíduos e de instituições, que até aos dias de hoje, convergiram na proliferação das práticas musicais manhoucenses. Mesmo aceitando o argumento de que a aproximação de indivíduos às cantigas de Manhouce remonta a tempos mais antigos, pode-se afirmar que o surgimento dessa terminologia teve substancial impacte por volta de 1980, ano da constituição do Grupo Etnográfico de Cantares e Trajes de Manhouce (GECTM). O final dos anos 70 e o início dos anos 80 do pretérito século foram fecundos para a constituição e desenvolvimento do grupo, sobre o qual escreverei com mais pormenor em posterior publicação. Não obstante, o percurso do GECTM deve-se em grande parte à ação dos amigos de Manhouce que, por intermédio do seu posicionamento em vários sectores, em especial no estabelecimento de redes de contactos, possibilitaram a introdução do grupo no epicentro do meio artístico, cultural, social e político português. Como constado pela etnomusicóloga Maria do Rosário Pestana (…) “Os amigos de Manhouce é a expressão repetidamente utilizada pelos elementos do GECTM para referir essas instituições e/ou indivíduos e é, por si só, ilustrativo da importância dessas relações”. Para além das qualidades atribuídas aos elementos do grupo e em especial à aptidão musical de António Silva (Mestre Silva) e à competência vocal da cantadeira Isabel Gomes Silvestre, como consequência das relações estabelecidas, no ano de 1982 o GECTM grava o seu primeiro LP Cantares da Beira através da aclamada editora Valentim de Carvalho, SARL. Esse acontecimento, de facto, reveste-se como um irrefutável indício do posicionamento dos amigos de Manhouce em vários quadrantes que permitiu uma ação coadjuvante no destino artístico e na visibilidade que o GECTM alcançou principalmente nos últimos vintes anos do século XX.  Durante esses anos, em termos de registos fonográficos, o grupo gravou mais três LP’s, dois dos quais reeditados posteriormente em CD, e participou em três coletâneas. Para além das inúmeras atuações em Portugal e no estrangeiro, assim como convites para programas televisivos e cobertura dos meios de comunicação social, o grupo alcançou imensa notoriedade no meio musical e artístico, culminando com o convite endereçado à cantadeira Isabel Gomes Silvestre para participar em dueto na canção “Pronúncia do Norte” do álbum Rock In Rio Douro, editado em 1992, um dos discos mais vendidos na história da música nacional, do conjunto musical portuense GNR (Grupo Novo Rock). Apesar do GECTM ter subsistido até ao ano início do ano 2000, verificou-se, ainda no decorrer dos anos 90 do século XX um notório enfoque na cantadeira Isabel Gomes Silvestre cuja carreira a solo começava a despontar.

Ligações:

https://www.facebook.com/sonsdanossaterrasps/

https://vimeo.com/sonsdanossaterra

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