Ekaterina Malginova

Este mês na história…

Uma das mulheres que mudou a história!

O mês de janeiro, o primeiro do ano, é o mês do Natal ortodoxo e o mês em que se celebra o Dia de Reis, isto no campo religioso. Nas páginas da história dedicadas à política, o mês de janeiro marcou a data da separação da Checoslováquia (1993), dando origem à República Checa e à Eslováquia (actuais membros da União Europeia); no mesmo mês, mas 70 anos antes, em 1923, foi criada a URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas), extinta em 1991.

Com este artigo, quero destacar um acontecimento em particular, que teve uma grande influência no decorrer da história da França e por sua vez do resto da Europa. A figura de Joane d’Arc (1412-1431) por muitos conhecida e por vários reconhecida, nasceu neste mês. Considerada santa da Igreja Católica e heroína francesa pelo papel que teve na Guerra dos Cem Anos (1337 a 1453), esta figura feminina representou a fé e a luta de um povo, e de certa forma a sua também.

Mas antes de Joane d’Arc…

Nos anos que antecederam a guerra, a França era considerada o centro comercial da Europa, mas com as inúmeras batalhas a terem lugar nos seus territórios, ao que se “acrescentou” a Peste Negra acabou por ser o palco de devastação e declínio. O conflito entre a Inglaterra e a França ficou conhecido como a Guerra dos Cem Anos. Quais foram os motivos que deram origem ao desentendimento? Por um lado, a indecisão da sucessão da coroa francesa entre várias casas reais, tornando o país frágil… por outro, a pretensão dos ingleses de conquistar e expandir o seu (novo) território.

Um dos maiores confrontos da Idade Média, foi desencadeado após a morte, em 1328, de Carlos IV de França. Eduardo III da Inglaterra, alegava ser o herdeiro legal do trono francês, já que a sua mãe, Isabel, era irmã do rei Carlos IV. Em resposta, a coroa francesa defendia que a sucessão não podia ser pela linhagem feminina.  Após várias batalhas, algumas perdas e poucas vitórias surge a figura de Joana d’Arc que muda o rumo da(s) batalha(s)…

Jovem, com 13 anos de idade, começou a ter visões e a receber mensagens divinas, nas quais ela era motivada a entrar para o exército francês e a ajudar o seu reino na guerra contra a Inglaterra… Com o cabelo curto e vestida de homem, após o encontro com Carlos VII (regente na altura, depois de várias sucessões na linhagem) foi aceite no exército francês e chegou a comandar tropas. As suas importantes vitórias e o reconhecimento que teve do rei Carlos VII despertaram desconforto e uma certa inveja em outros líderes militares da França, que aproveitaram o facto dela ter sido ferida durante uma batalha em Paris entregando-a aos ingleses. Para além disso, várias foram as conspirações contra Joane d’Arc, uma das quais defendia que era bruxa, tendo sido acusada de praticar feitiçaria pelas suas visões e condenada à morte na fogueira na cidade de Rouen, no ano de 1431.

O fim da guerra é marcado pela batalha de Castillon (perto de Bordéus actual) em 1453. Não consta que tenha havido algum tratado para assinalar o fim da guerra.

Para além do misticismo em torno da figura de Joane d’Arc, a sua história é um caso exemplar de como os interesses políticos dominavam os procedimentos da justiça e utilizavam a religião ao seu serviço. O facto de ter sido uma mulher também não foi indiferente. Joane d’Arc foi uma grande mulher, pela coragem e pelo exemplo. Muitas mais houveram e há! Reflitamos um pouco sobre isto!

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