EDITORIAL 797
Enfrentar um novo e prolongado confinamento exige reforço do acompanhamento social e económico

À hora de fecho desta edição da Gazeta da Beira as notícias relacionadas com a pandemia Covi-19 sucedem-se em catadupa e tudo indica que nos próximos dias assim vai continuar.
Segundo o último boletim epidemiológico da Direção Geral de Saúde a que tivemos acesso (dia 12), Portugal registou em 24 horas mais 155 mortes, o número mais elevado de sempre, e 7259 novos casos de Covid-19.
O país está praticamente com meio milhão de casos desde o início da pandemia e já temos a lamentar mais de 8 mil falecimentos devido ao novo vírus. Estamos perante um combate muito duro e com consequências dramáticas.
A esperança reside na eficácia da vacina, mas até que a vacinação ganhe escala suficiente e produza imunidades com dimensão significativa vai demorar bastante tempo.
Até lá é essencial que mantenhamos toda a atenção nas medidas básicas anti contágio, como o distanciamento físico, não estar em aglomerações de pessoas, arejar os compartimentos onde nos encontramos, higienizar as mãos frequentemente e usar máscara.
Após a mais recente reunião no Infarmed com especialistas, destinada a analisar a evolução da situação epidemiológica em Portugal, o primeiro-ministro, António Costa, declarou que “houve um grande consenso” sobre a trajetória de crescimento de novos casos de infeção do novo coronavírus e que “as medidas devem ter um horizonte de um mês e com um perfil muito semelhante àquele que adotámos logo no início da pandemia, ou seja, no período de março e abril”.
Ficou claro que o Governo decidirá por um novo período de confinamento obrigatório que deverá prolongar-se, pelo menos, até à semana do Carnaval (16 Fevereiro) e que, em função dos resultados no controlo da transmissão da infeção, poderá ou não ser mitigado. A dúvida subsistia sobre o encerramento das atividades presenciais nas escolas, total ou parcialmente, em função dos grupos etários.
Temos a convicção de que o confinamento poderá melhorar a situação sanitária e evitar o caos nos serviços de saúde, mas também temos poucas dúvidas sobre a gravidade dos seus efeitos sociais e económicos. O Governo deve reforçar as medidas de apoio ao emprego, às famílias, às empresas, e a todas as situações de maior precariedade, sendo necessário garantir que serviços como a eletricidade ou o gás não faltem nas casas carenciadas.
As autarquias, pela sua proximidade com as populações, certamente que redobrarão a atenção e o acompanhamento destas situações, particularmente junto dos idosos e das pessoas mais isoladas, nomeadamente as que vivem em áreas rurais e em habitações com menos condições.
Trata-se, de facto, de um combate muito duro, difícil e que se adivinhava prolongado. Torna-se um tanto incompreensível que, em vez de um certo ziguezaguear de medidas e de uma sucessão de estados de emergência, ainda não tenha sido debatida e aprovada uma lei que defina com clareza e solidez uma política pública coerente e com horizonte para enfrentar esta pandemia. Os aparentes sucessos iniciais terão toldado o discernimento de quem tem de decidir sobre estas matérias?
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