Em Foco 796

Apesar do aumento das exportações o rendimento da Atividade Agrícola deverá decrescer 3,3% em 2020 por efeito da pandemia Covid-19

Apesar do aumento das exportações o rendimento da Atividade Agrícola deverá decrescer 3,3% em 2020 por efeito da pandemia Covid-19

Segundo relatório do Instituto Nacional de Estatística (INE), entre janeiro e outubro de 2020, as exportações de produtos agrícolas aumentaram 6,2% face ao mesmo período do ano anterior, enquanto o total de exportações de bens decresceu 11,5%. Significa que em termos de exportações a Agricultura teve um desempenho mais positivo do que as restantes atividades económicas no geral.

No entanto, de acordo com a primeira estimativa das Contas Económicas da Agricultura  para 2020, o rendimento da atividade agrícola, em termos reais, por unidade de trabalho ano (UTA), deverá registar uma diminuição (-3,3%), situação que não ocorria desde 2011.

Para esta evolução foi determinante o decréscimo do Valor acrescentado bruto (VAB) (-7,7%), parcialmente atenuado pelo crescimento dos outros subsídios à produção (+3,6%). A atividade agrícola foi naturalmente condicionada pelos efeitos da pandemia COVID-19, verificando-se um impacto negativo na produção vegetal, sobretudo nos produtos mais perecíveis ou sensíveis a transporte e armazenamento, enquanto a produção animal foi afetada pelas alterações nos padrões de consumo decorrentes do confinamento.

As exportações de produtos agrícolas, no período de janeiro a outubro de 2020, registaram um aumento de 6,2% face ao período homólogo, enquanto as exportações totais de bens decresceram 11,5%. No mesmo período, as importações de produtos agrícolas diminuíram 2,6%, um decréscimo menos significativo do que o das importações totais de bens (-16,5%).

O Instituto Nacional de Estatística divulgou que, em 2020, o volume de mão-de-obra agrícola deverá diminuir em cerca de -5,6%. O decréscimo nominal da produção vegetal (-4,4%) resulta do efeito conjugado de uma diminuição em volume (-5,9%) e de um aumento dos preços de base (+1,6%). Com exceção das plantas industriais e plantas forrageiras, a produção nominal da generalidade das categorias de produtos da produção vegetal diminuiu.

A produção animal deverá registar um ligeiro acréscimo em volume (+0,8%) e um decréscimo dos preços de base (-1,6%), resultando numa diminuição nominal (-0,8%), para a qual contribuem fundamentalmente os suínos (-3,4%), os ovinos e caprinos (-4,2%) e as aves (-3,6%). Para as aves prevê-se um decréscimo do volume (-1,0%) na sequência de menor produção de frango e de pato, em resultado da redução da procura, dada a situação conjuntural da restauração, com naturais implicações no comportamento dos preços (-2,6%).

O peso relativo da agricultura na economia nacional é superior ao observado na UE, mantendo-se Portugal ligeiramente acima da média europeia (1,7% vs. 1,6%). Entre os triénios de 2001-2003 e 2017-2019 o rendimento da atividade agrícola em Portugal evoluiu de forma mais favorável do que a média dos Estados Membros (+81,8% vs. +53,6%), ultrapassando países mediterrânicos como França, Espanha, Itália e Grécia.

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