António Alexandrino

DIGITAL – a nova era

À custa de repetição, instala-se o lugar-comum: “O Mundo está mesmo a mudar” (José Manuel Diogo, Director SCIP Portugal). A desmaterializar-se. Daqui a alguns anos (poucos, talvez), vamos fazer quase tudo sem contacto directo com outros seres humanos. Com efeito, não é só de ir às compras que falamos. Ir ao médico, ao teatro, à escola, ao banco … passada que seja menos de uma década, será a regra em vez da excepção. Não se trata de tomar partido sobre o que vamos perder ou ganhar, ou se preferimos trocar um aperto de mão, em vez de enviar um email. É fundamental e urgente perceber, quanto antes, que nada será como dantes.

Se as pessoas cada vez mais conversam, compram, viajam e até namoram na Internet, será com certeza que na Internet todos os serviços terão viabilidade. É somente adequar à vida económica aquilo que vão sendo já os padrões das novas gerações. Consoante as pessoas vão evoluindo, preferem, por conveniência, o meio digital. Não se trata apenas de conquistar clientela; trata-se de “digitalizar comportamentos” (J.M. Diogo). E não se limita aos jovens; muitas pessoas, com mais de 70 anos, têm ainda capacidades físicas e mentais para entender e operar com novas ferramentas e reagem muito bem a todos estes sistemas, especialmente no ‘mobile’. Os novos ‘smartphones’ emprestam uma variante desmaterializada à vida. Há mais telefones móveis do que habitantes na Terra, quase 7,6 mil milhões, segundo os últimos dados. Em cada telefone existe um verdadeiro portal de conhecimento.

Aquilo que ainda até há pouco seria “uma estratégia de negócio suicida” (J.M.Diogo) é hoje, face às capacidades tecnológicas existentes, mais do que uma vantagem sobre a concorrência, ou uma inovação fantástica. É uma ‘obrigatoriedade’ para a gestão.

Aqueles que gastigarem mais tempo na adaptação ao novo mundo vão perder competência e ficarão forçosamente para trás. Já não são apenas as matérias-primas, nomeadamente, os alimentos, que constituem as “commodities” –  mercadorias pouco transformadas, cujo preço depende somente da oferta e da procura –, é o próprio conceito de “serviços”, até agora considerados como algo de muito especializado e que obriga a grande diferenciação no tratamento, que também mudou. Talvez para sempre! A forma como as pessoas se relacionam com os “serviços” que lhes são prestados também vai mudar. Talvez para sempre!

E não é somente na banca. Todos os serviços que conhecemos, mesmo os mais complexos, vão passar a ser prestados às pessoas, de forma diferente da que conhecemos no tempo que passa. O ‘negócio do dinheiro’ – porque é dos mais sofisticados e profissionais – apenas intuiu a mudança antes dos outros. No entanto, a mudança vai ser generalizada.

Em todos os negócios e actividades onde mais importa a rapidez, tecnologia, disponibilidade; em todas as actividades em que o tempo é o activo mais valioso que se pode oferecer aos clientes, “nada será como dantes” (J. M. Diogo).

Todavia, neste novo mundo digital, onde os comportamentos podem ser previsíveis e, até, padronizáveis, é possível percebermos antes o que vai acontecer depois. Torna-se, pois, ‘obrigatório’ compreender a imensa quantidade de dados que esta nova forma desmaterializada de operação produz, o que vai fazer nascer no íntimo das empresas – tarefas que precisarão de novas competências.

Hoje, já não é apenas a forma como as coisas acontecem que é importante para a gestão. Forçoso se torna antecipar o que vai acontecer.

17/12/2020

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