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Papa Francisco: “Não estamos condenados a modelos económicos que centrem o seu interesse imediato no lucro”

O Papa apelou à criação de uma “narrativa económica diferente”, com a ajuda das novas gerações, numa mensagem que marcou o encerramento do evento online ‘A Economia de Francisco’.

“Vocês sabem que uma narrativa económica diferente é urgentemente necessária, uma narrativa económica diferente, é urgente reconhecer com responsabilidade o facto de o sistema mundial atual ser insustentável, de diferentes pontos de vista”, referiu Francisco aos mais de 2 mil participantes, de 120 países, incluindo Portugal.

“Não estamos condenados a modelos económicos que centrem o seu interesse imediato no lucro, como unidade de medida, e na busca de políticas públicas semelhantes que ignorem os seus próprios custos humanos, sociais e ambientais”, advertiu o pontífice.

Francisco desafiou os jovens a serem uma presença concreta nas “cidades e universidades, no trabalho e nos sindicatos, nas empresas e nos movimentos, nos cargos públicos e privados, com inteligência, empenho e convicção”.

“A gravidade da situação atual, que a pandemia de Covid trouxe ainda mais à tona, exige uma consciência responsável de todos os atores sociais, de todos nós, entre os quais vocês têm um papel primordial”, acrescentou.

Na intervenção, o Papa defendeu uma “nova cultura”, que exige “mudanças nos estilos de vida, nos modelos de produção e consumo, nas estruturas consolidadas de poder que governam as sociedades hoje”.

A crise social e económica, que muitos sofrem na própria carne e que está a hipotecar o presente e o futuro, com o abandono e a exclusão de tantas crianças e adolescentes e famílias inteiras, não nos permite privilegiar interesses setoriais em detrimento do bem comum”.

O Papa destacou a necessidade de dar voz aos pobres na definição de novas políticas, para que se tornem “protagonistas das suas vidas e de todo o tecido social”, defendeu.

Apontando ao futuro, Francisco pediu que a política e a economia se coloquem “decididamente ao serviço da vida, especialmente da vida humana”, gerando um modelo de solidariedade internacional, que “reconheça e respeite a interdependência entre as nações”.

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