Pacheco Pereira inaugura núcleo do Ephemera em Viseu

O historiador José Pacheco Pereira e o presidente da Junta de Freguesia de Viseu, Diamantino Santos, inauguram a exposição “Coisas do Ephemera”.

• Texto e fotografias de Luís Pinheiro de Almeida

O Ephemera, o maior arquivo privado português, com sede na Marmeleira, (Santarém), e extensão no Barreiro, liderado pelo historiador José Pacheco Pereira, abriu no fim de semana de 7/8 de Novembro um núcleo em Viseu, alargando assim a acção dos “militantes da memória”.

Em declarações à Gazeta da Beira, Pacheco Pereira manifestou não só a sua satisfação pela abertura do núcleo, que terá pontos de recolha de material no Instituto Politécnico de Viseu, e no café-bar Faces, junto à livraria da Leya, um dos culturalmente mais activos na cidade, como reconheceu que em Viseu “há muita gente motivada para salvar a memória e o património colectivo”.

“Não fazemos concorrência aos arquivos locais, todos em conjunto somos poucos para que se não percam milhares de documentos relevantes para a história local e nacional”, salientou, citando os casos de Viana do Castelo, Porto, Lamego, Guarda, Coimbra, Figueira da Foz, Torres Vedras, Santarém, onde já existem núcleos do Ephemera em plena actividade que considerou ser de “relevância para a democracia”.

O Arquivo-Biblioteca tem mais de 200 mil títulos de livros e brochuras, dezenas de milhares de periódicos, milhares de cartazes, imagens, faixas, “outdoors”, panos, pins, autocolantes, mais de 6 quilómetros lineares de estantes e armários.

Online estão publicadas mais de 26 mil pastas de documentação com mais de 100 mil imagens e textos. Em termos de televisão, o Ephemera já co-produzido com a TVI mais de 50 episódios com a actividade do arquivo e os seus fundos, bem como tem editado livros (sete até ao momento) em parceria com a Tinta da China com material diverso dos espólios e doações.

Sob o “olhar atento” de Aquilino Ribeiro e de um confrade dos Vinhos do Dão, José Pacheco Pereira dá explicações sobre a exposição.

Além dos locais de recolha já citados, a que se vão acrescentar, em breve, postos no Luxemburgo e em Angola, o arquivo guarda o seu material em seis casas e um armazém na Marmeleira e dois grandes armazéns no Barreiro, sendo seguramente o maior arquivo privado do país e um dos maiores da Europa, tendo sido condecorado este ano pelo Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa com o título de Membro-Honorário da Ordem de Mérito.

O objectivo fundamental do Ephemera é “salvar, salvar, salvar tudo o que faz parte da memória colectiva”, após o que conserva, organiza, inventaria, publica e disponibiliza gratuitamente a investigadores que podem consultar o material que entenderem  em qualquer local. Para isso conta com cerca de 400 voluntários em todo o País.

Com este propósito, o Ephemera, representado por Pacheco Pereira, e o Instituto Poltécnico de Viseu, representado por João Monney Paiva, assinaram no dia 06 de Novembro um protocolo de cooperação, o qual se inseriu igualmente nas comemorações do 40º aniversário do Instituto.

Nos termos do documento, as duas entidades realizarão em conjunto diversas iniciativas como exposições, conferências e debates relacionadas com a “salvaguarda da memória”, a primeira das quais está já patente no Instituto, uma exposição de 24 fotografias de Rui Serrano sobre o trabalho voluntário nos armazéns no Barreiro.

Ainda no âmbito das actividades do fim de semana do Ephemera em Viseu, José Pacheco Pereira inaugurou na nova sede da Junta de Freguesia de Viseu (Solar dos Peixotos),  uma exposição a que foi dado o título de “Coisas do Ephemera”.

No salão nobre da nóvel Junta de Freguesia, “Coisas do Ephemera” é um repositório selectivo de alguns materiais do arquivo, como, por exemplo, o bilhete de identidade falso de Palma Inácio, uma vela com o punho serrado do PS, um boné de um soldado colonial português com os nomes das operações militares em que participou, um “scrapbook” de António Calvário., uma carta de Sá Carneiro a Lucas Pires sobre a Aliança Democrática.

Na galeria expositiva, adjacente ao salão, o Ephemera optou por mostrar coisas suas mais directamente relacionadas com o distrito, como a música e a gastronomia.

Na vitrina da música, dá-se obviamente destaque a Isabel Silvestre e ao Rancho Regional de Manhouce com a exibição do primeiro EP (disco de 4 músicas) do Rancho (de 1961), e ao conjunto ié-ié de Viseu, Tubarões, os primeiros a gravar António Gedeão e que ficaram no 8º lugar do Concurso Ié-Ié do Teatro Monumental de Lisboa.

A exposição mostra o seu único EP, editado em 1968, e deveras raro, atingindo uma centena de euros no mercado discográfico de vinil. De salientar que o baterista do conjunto, Eduardo Pinto, foi a “bazuca” da abertura do Ephemera em Viseu, tornando-se seu responsável.

Na gastronomia, há uma colecção de 118 cartões de restaurante do distrito, alguns deles já desaparecidos como o Martelo, em Silgueiros, oi a Flor de Loendro, de Oliveira de Frades, bem como significativas ementas e livros de culinária, entre os quais um sobre os famosos pastéis de Vouzela.

A exposição está aberta ao público até ao dia 04 de Dezembro.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *