Hugo Crychann – A aldeia de Manhouce, as Artes e o Projeto Amanhouçar

 

• Paula Jorge

Hugo nasceu e cresceu na aldeia de Manhouce, rodeado de hábitos e de crenças. Desde cedo começou a manifestar o gosto pelas Artes e descobriu também a curiosidade pelo canto.

Em conversa com a Gazeta da Beira, Hugo referiu: “Participei em todos os festivais que a escola ia promovendo e, durante as tardes, quando voltava para casa, comecei a ter o meu primeiro contacto com o canto polifónico e tradicional de Manhouce. Nessa altura, as raparigas da aldeia davam os primeiros passos com o grupo “Vozes de Manhouce” e era durante as longas viagens de autocarro que cantavam a três vozes. Eu não pertencia ao grupo, mas a curiosidade levou-me a cantar com elas. Foi aí que senti o primeiro contacto com este canto, com esta terra e com este modo de estar.”

No ano de 2014 o rancho de Manhouce voltou ao ativo e Hugo entrou para aprender a dançar. “Entretanto, por motivos de saúde, parei, mas como havia falta de um cantor acabei por ficar com essa função, mesmo não sendo a minha vontade. No entanto, com o passar do tempo, o contacto que ia tendo com esta cultura fez-me querer procurar mais: queria saber o porquê e o sentido das coisas para poder desempenhar a minha função com verdade. Foi aí que começou o meu interesse pela aldeia e pelo seu folclore. Tudo fazia sentido, pois a minha família e conhecidos estavam ligados a estas tradições por anos e anos. Com o tempo fui aprendendo a tocar alguns instrumentos meramente por curiosidade.”

Quando acabou o 9º ano optou pelas Artes. Seguiu rumo a Viseu e frequentou a Escola secundária de Viriato. “As influências de Manhouce foram uma mais-valia para o meu desempenho e aprendizagem sempre muito reconhecidas por toda a comunidade escolar.”

Em 2018 surgiu o projeto “Amanhouçar”. “Neste projeto comecei a pintar umas pedras de lousa e a fazer umas miniaturas do chapéu tradicional. Estes foram uns dos primeiros resultados de todo o estudo que desenvolvi em Manhouce. O Projeto foi evoluindo e hoje conta com várias vertentes: artesanato, recolhas audiovisuais, estudo sobre dinâmicas da aldeia, entrevistas, produção de conteúdo fotográfico e divulgação das tradições.

Este ano, Hugo ingressou na Licenciatura em Artes Plásticas, nas Caldas da Rainha. “Nesta fase, espero despertar outro tipo de sentidos e aprender mais sobre a minha área, afastando-me, desta forma, um pouco mais de Manhouce.”

Questionado sobre o futuro, Hugo concluiu: “Ainda não sei o que o futuro me reserva, nem qual será a minha mensagem. Na verdade, ainda estou em busca. Por agora sou só um rapaz da serra a conhecer um pouco mais do mundo, mas sempre com a palavra “terra” marcada na pele.”

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