Francisco Queirós

As verdades e as mentiras da pandemia

Certas observações de fácil evidência são um sintoma de uma enorme corrupção moral das sociedades contemporâneas, uma decadência do valor da vida que acabará inapelavelmente em outras eugenias, uma espécie de nazismo do politicamente correcto que sacrifica alegremente primeiro doentes e velhos, e depois deficientes e desconformes dos padrões de juventude e beleza, mas não de género, que para essa ideologia é sagrada!

Ao longo dos últimos dias/semanas é com grande apreensão que temos observado um aumento muito significativo da pandemia do COVID-19 em Portugal e no Mundo.

Apesar da muita desinformação e de muitos disparates com proveniência em quem devia tomar o rumo das coisas, leia-se Ministério da Saúde, DGS & Organização Mundial da Saúde, tem causado muita infelicidade no Mundo, por diversas razões.

A primeira razão é a capacidade mortífera do vírus SARS Cov-2. Apesar de nos falarem da fome, da malária, do SIDA ou da tuberculose, como causas de morte mais severas, essas observações são rotundamente falsas. A doença COVID-19 é a doença infecciosa que mais gente mata no Mundo.

As doenças infecciosas que mais gente matavam por ano eram o SIDA e a tuberculose, em ambos os casos com mais de um milhão de mortos por ano. O COVID-19 matou, até ao dia em que escrevemos, cerca de um milhão e cem mil pessoas. Até ao final do ano matará no mínimo um milhão e meio de pessoas!

Apesar das medidas de confinamento, estes números superam largamente os números anuais das doenças que mais gente matavam no Mundo. O principal problema é que os óbitos estão a acelerar. Os mais de cinco mil que morrem por dia no Globo têm tendência a subir, o que se tem notado sobretudo no Hemisfério Norte, onde o Outono começa a fazer-se sentir.

Se compararmos os números do COVID-19 com os da gripe sazonal encontramos, mesmo com severíssimas medidas de confinamento, higiene e de segurança, mais do dobro dos piores anos de gripe sazonal dos últimos 50 anos, em que seiscentos mil mortos eram um número catastrófico raramente alcançado.

Há quem diga que esta doença apenas afecta pessoas idosas. Há algum fundo de verdade: estatisticamente, a COVID-19 mata sobretudo a partir dos setenta anos de idade, aumentando muito a partir dos oitenta anos.

Estas observações, além de imprecisas, são de uma “eugenia evidente”, e um sintoma de uma enorme corrupção moral das sociedades contemporâneas, uma decadência do valor da vida que acabará inapelavelmente em outras eugenias, uma espécie de nazismo do politicamente correcto que sacrifica alegremente primeiro doentes e velhos, e depois deficientes e desconformes dos padrões de juventude e beleza, mas não de género, que para essa ideologia é sagrada.

A doença COVID-19 é mortal, é grave, também mata mais jovens. É a doença infecciosa mais mortal da actualidade. A imunidade de grupo, que tanta gente discute, nem de perto nem de longe se aproxima, como os dados de zonas muito afectadas, como Nova Iorque, indicam. A pandemia continua a desenvolver-se em zonas já muito causticadas, mostrando com fortes evidências que a pandemia ainda está muito longe da taxa de infecção da população entre 70 e 80% (valor considerado básico para se atingir a Imunidade Grupal).

Esta doença, com as medidas tomadas agora, isto é: sem fecho de fronteiras, sem o recurso generalizado ao teletrabalho, sem aumento significativo dos transportes públicos, sem desfasamento generalizado de horários de trabalho, mantendo festas familiares, como casamentos, até 50 pessoas (o que no mínimo é criminoso!) e as novas medidas do estado de calamidade, anunciadas recentemente conduzirão ao aumento gradual de óbitos. Desde 20 de outubro que os 20 mortos diários são uma constante; a partir de Novembro poderemos esperar 30 a 40 óbitos por dia!

Responsabilizar apenas as pessoas pela protecção contra a doença, sem campanhas pedagógicas sobre uso de máscaras, sem campanhas sobre o distanciamento social, não conduzirá a nenhuma redução das taxas de contágios!

O cansaço e a falsa sensação de segurança que uma pandemia destas acarreta (não se vêm mortos na rua, os óbitos dão-se, quase secretos, nos hospitais, a catástrofe vive-se no recato e no desespero das relações familiares, sem acesso aos entes queridos que partem) facilitam o abrandar da vigilância individual. A baixíssima Literacia média do Povo Português faz o resto!

Dar às pessoas, e apenas às pessoas, com total livre arbítrio sobre o seu comportamento, o principal papel no combate a uma epidemia deste calibre é desconhecer a história. Sempre os Estados tiveram de fazer cumprir as regras de forma extremamente severa. O egoísmo perante a morte de outros é a norma do ser humano. Sem confinamentos, sem cercas sanitárias, as pestes teriam ceifado ao longo dos séculos muito mais gente do que acabaram por dizimar.

Portugal, com este desnorte, com falta de confiança nos números, sem vacinas generalizadas, terá até Março de 2021 entre 3.000 a 6.000 mortos. E a responsabilidade não será das pessoas, mas do desgoverno e desnorte dos que deveriam governar o país, mas que apenas se sabem governar a si mesmos e aos seus amigos. De resto só assim se compreende como Marta Temido e Graça Freitas se mantêm no lugares chave que ocupam e para os quais a sua impreparação é mais do que evidente!

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