António Gouveia

Atos falhados

 

  1. Foi título de capa do Público na semana passada: “Construção resiste e salva o país em recessão ainda mais grave”. É verdade, é um esforço de enaltecer quando uma grande parte dos trabalhadores deste setor, seja pelo surto de infeções em crescendo, seja por oportunismo que está a promover a preguiça, o bombardeia com patrões em fúria e desanimados por não poderem responder aos seus clientes, agora que o setor começava a sair da aflição e era Sócrates de má memória. Claro, também os clientes desatinam quando não encontram firmas para reparações urgentes.

 

  1. Bombardeia faz-me vir à ideia o termo “bazuca”, utilizado pelo PM para se referir aos 750 mil milhões que a UE prepara para a Europa. Bazuca é uma arma poderosa tipo foguete para destruir tanques de guerra, foi  utilizada a primeira vez em 1942 pelos americanos. Será que a bazuca é para salvar a economia portuguesa, a braços com mais um grave problema (em recessão várias vezes desde a revolução de abril) ou para salvar os do costume, sabido que o Estado é pouco eficiente em candidaturas aos fundos comunitários e substituído pelo oportunismo dos privados?

 

  1. Está a caminho a tentativa de reversão de 600 freguesias das 1 168 agregadas em 2012, ano de uma boa e necessária reforma administrativa, incluindo municípios que parou ai. O PR já disse que não concorda e tem razão, precisamos muito de um país moderno, eficiente, não retalhado em minifúndios de poder e nada eficaz. Ademais, se esta reforma tivesse continuado, as 1 168 freguesias que então foram agregadas já teriam sido transformadas em “Organizações de Moradores”, a alternativa constitucional (art. 263), dotadas de legislação eleitoral adequada, podendo, com vantagem, integrar as suas assembleias de freguesia e pugnando pelos seus direitos, seriam as autarquias de maior proximidade às populações. Este é (espero bem que sim) um ato falhado, muito desejado e impulsionado pela ANAFRE, uma corporação de interesses politico-partidários onde dirigentes trocam de lugares (o atual presidente (PS) era vice-presidente, o vice-presidente (PSD) seu vizinho foi presidente anos a fio, ou seja, eternizam-se no poder e princípio de Peter, numa coligação partilhada pelos três maiores partidos (PS, PSD e PCP) numa estrutura sem qualidade, sem criatividade e sem utilidade, sem arte para seduzir metade das atuais 3 092 freguesias que não são associadas, gerando um orçamento de cerca de um milhão de euros onde a rubrica da maior despesa, depois da dos custos de pessoal é, espante-se o leitor (eu já me espantei várias vezes com o desplante), a que respeita a almoços e deslocações,  que convoca congressos de nulo interesse como o de 2012, a que assisti, onde o ministro que detinha o dossiê da reforma administrativa foi insultado e vaiado cobardemente – estou  a falar de autarcas, mais pareciam arruaceiros, senti-me mal acompanhado e envergonhado perante tamanha indignidade, amotinaram-se, danados por irem perder “tachos” (não estavam lá por razões de serviço) e mordomias -, vergonha despudorada, só visto. Não percebo, foi o atual PM, António Costa (então presidente da câmara), que levou por diante em 2013 o melhor projeto de agregação de freguesias do país, o do concelho de Lisboa, onde foram agregadas 29 das 5e existentes, corrigidos  e traçados novos limites e fronteiras, redenominadas as novas freguesias com novos nomes, dialogando com sucesso cim o vizinho concelho de Loures para definir nova área para a nova freguesia do Parque das Nações e, cereja em cima do bolo, dotando todas com mais competências e envelope financeiro adequado para as levarem por diante, um pacote anual (bazuca, se quiserem) de 70 milhões de euros. Sinceramente, não percebo esta sua decisão é ato falhado (espero que falhe), será que já não domina a “boiada” e está a perder o chão, deixando que o mesmo se transforme num pântano mais uma vez? Não acredito, tenho dele excelente opinião, é um homem inteligente e cidadania com provas dadas, também não percebo por que insiste em governar à esquerda se o país, tal como está, precisa de todos para uma boa solução governativa.

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