Francisco Queirós

O talentoso Sr. Pedroso, e a pouco formosa Sr.ª Ana Gomes

Nas últimas semanas, Paulo Pedroso, o coordenador da campanha da candidata à presidência da república Ana Gomes, desdobrou-se em entrevistas, falando muito de si, mas quase nunca da candidata nem dos temas que pareciam ser a bandeira desta candidata como a corrupção ou o tráfico de influências. E tal comportamento e viés comunicativo é bem entendido por todos se pensarmos de quem vem…

Quem ganha então o quê com a recente nomeação de Pedroso para a coordenação da campanha de Ana Gomes? Pedroso e Ana Gomes têm muito talento para a política… melhor: muito talento para a Política que se faz com sucesso no regime português e que têm sabido dominar como poucos. Têm arranjado lugares de “elite” para si próprios e ambos têm, aliás, ex-familiares e familiares em lugares semelhantes, muitíssimo bem pagos, de nomeação política, há décadas. Sabiam, pois, bem que nomear Pedroso para a campanha é derrota certa, excepto se têm informação de que o Presidente Marcelo não se vai recandidatar. Assumindo que Marcelo se vai mesmo recandidatar, quem tem a ganhar como uma candidata à presidência que não quer ganhar ao seu opositor principal?

Uma vez que certamente nem Ana Gomes nem os Portugueses que acreditavam nela beneficiam da presença de Paulo Pedroso na campanha, é, pois, pertinente perguntar: quem beneficia com esta jogada política?

Esta nomeação de Pedroso para mentor de campanha de Ana Gomes é aparentemente suicidária para a referida Candidata. O leitor que escolha aquela que lhe parece ser a resposta mais plausível à pergunta “quem ganha com Ana Gomes que não afinal nem quer ganhar as Presidenciais”?

Uma hipótese é que, se calhar, são Paulo Pedroso e o seu grupo mais próximo, incluindo Ana Gomes, que querem mesmo ganhar algo no futuro, que não a presidência. Os objectivos da Candidatura são evidentemente pessoais, até porque nem a Candidata, nem os seus acólitos têm qualquer desígnio nacional que se lhes reconheça.

Tendo analisado muitos países e suas campanhas eleitorais, nunca me pareceu sequer próxima a ideia de uma campanha em que um mero coordenador ofuscasse tanto o candidato. Ainda por cima, um coordenador no mínimo problemático perante a opinião pública.

Ora o talentoso senhor Pedroso para a política não dá ponto sem nó; a propósito, nos países que não bajulam a classe política, só os médicos ou doutorados é que são chamados de doutores; daí o termo mais correcto de “senhor”, além da óbvia referência cinematográfica a uma personagem talentosa, o Sr. Ripley, bom estratego em proveito próprio que sacrificava amigos e amigas quando lhe convinha.

Sabemos que o nosso regime se caracteriza por troca de favores entre políticos e familiares de políticos nomeados há décadas por via política em vez de qualificações, experiência profissional numa área técnica ou resultados avaliados. É esta forma de corrupção, o nepotismo e favoritismo a níveis sem igual no resto da Europa ocidental, juntamente com o dinheiro do Estado esbanjado em negócios privados de amigos de políticos, que tem feito de nós uma espécie de África económica dentro da Europa próspera.

Na sociedade, as empresas e demais organizações todos procedem de forma idêntica a esta “inspiradora” classe Política! Queixam-se depois da falta de competitividade da economia, da baixa productividade, dos salários miseráveis, etc. Como disse o próprio Jesus vais para mais de 2000 anos: “ se um cego guiar outros cegos todos caírão na ravina”; o aforismo popular português sentencia que “em terra de cegos quem tem 1 olho é Rei”. São precisas mais palavras para se reconhecer a crónica miséria nacional? Responda quem souber!

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