Vozes de Manhouce e a Harpista Angelica Salvi
"Lidairada na Comenda" em São Pedro do Sul

• Texto de Paula Jorge
A Quinta da Comenda abriu portas no dia 12 de setembro, pelas 17h, para a sua terceira e última edição da Lidairada da Comenda, com vinhos da quinta e petiscos para todos os presentes.
Deu-se início ao espetáculo com as Vozes de Manhouce, grupo de mulheres cantadeiras fundado em 2008. Cantaram 11 cantos polifónicos na eira da quinta. Os onze elementos femininos vestiram trajes de casamento e de festa da mulher de Manhouce de finais do século XIX/princípio do século XX. As saias de armur, bordadas, com barras de veludo, as blusas e os lenços de seda, alguns trajes originais, outros, reproduções desses trajes e muito ouro. Os chapéus são os chapéus vareiros com influência do mar, uma vez que Manhouce era local de passagem entre Porto e Viseu e vinham ainda os vendedores de Aveiro vender o sal. Nas cantigas destacam-se três naipes de voz: o riba, a voz mais aguda; o raso, a voz intermédia; o baixo, a voz mais grave. Os temas das cantigas foram: o trabalho, a romaria e o amor.

Seguiu-se a harpista e compositora espanhola, Angelica Salvi, sediada no Porto desde 2011. PHANTONE é o seu primeiro álbum a solo, baseado na harpa e eletrónica, lançado pela Lovers & Lollypops. Este trabalho foi eleito pela Time Out como o terceiro melhor álbum de 2019, segundo a Antena 3 é um dos álbuns em destaque do jornal “Ípsilon” de 2019.
Depois dos concertos, estiveram presentes dois astrónomos a ensinar a analisar os astros.
Em declaração à GB, Ângelo Rocha referiu: “O balanço das três Lidairadas foi muito positivo, estivemos sempre cheios, foram iniciativas únicas, com uma qualidade extraordinária e concertos que nunca tinha havido, deste tipo, em Lafões. Conseguimos trazer para a Região de Lafões artistas muito bons, conseguimos atrair público de toda a Região de Lafões, mas também de Viseu, Aveiro e Porto, que vieram de propósito para assistir, o que prova que a cultura é algo que pode trazer pessoas a Lafões. É muito importante conseguirmos fazer mais eventos para trazer pessoas, atrás da cultura, a gastronomia, as paisagens, as tradições, etc. Depois, o facto de ser numa quinta, ao ar livre, tudo isso prova que há mercado, é possível fazer coisas interessantes em locais ao ar livre, no campo, fora dos grandes centros. Hoje fechámos com chave de ouro, com um concerto de harpa, único, e com um tesouro que temos em Lafões que são as vozes de Manhouce.”
Parabéns a Ângelo Rocha e sua família por mais um evento realizado com sucesso.
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