Carlos Correia Marias da Ponte
Engª. Carmo Bica. Falta cumprir-se a Gazeta?
Engª. Carmo Bica. Falta cumprir-se a Gazeta?
Foi com amarga surpresa que tomei conhecimento do falecimento da Engª. Carmo Bica. Não vou aqui e agora prestar-lhe homenagem e bem dizer que há muito se justificava.
Não está no hábito dos portugueses homenagear em vida seja quem for. Em razão do sentimento de inveja que é comum a todos.
Carmo Bica era cidadã de presença inconfundível. Com fortes preocupações sociais e convicções políticas. De sorriso claro, enfrentava serenamente as crenças e opiniões dos outros.
Dirigente de um jornal com características próprias e um “histórico” marcante, entendia que à imprensa regional cabe um papel importante na formação da cidadania que obviamente, terá de se fortalecer debaixo para cima. O que vem de cima para baixo é quase sempre fonte de autoritarismo.
Ser jornalista era um complemento da sua atividade profissional na administração Central e Regional onde acumulou prestígio, gerou independências, fez obra. A função pública está ao serviço de todos os cidadãos, não para servir grupos ou sectores que, alternadamente, procuram “servir-se” dela, conforme interesses específicos.
Como sucessora que foi mais completa e abrangente de funções que exerci na Gazeta, dei fé que era sua preocupação que este periódico fosse também um elo entre presentes e ausentes.
Pugnou sempre por uma sociedade portuguesa livre a todos os níveis, democrática, assente em valores humanísticos.
Respeitou sempre princípios deontológicos da imprensa. Nunca abusou da boa-fé dos seus leitores encobrindo ou deturpando a informação. Mesmo que as notícias e opiniões incomodassem. Cidadã portuguesa exemplar.
Os que agora lhe sucederem em funções tem responsabilidades acrescidas.
Importa continuar e cumprir a Gazeta.
Homenagem que se pode prestar a Carmo Bica.
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