António Moniz de Palme

Maria do Carmo Bica, um anjo terrestre que voou antes de tempo, deste mundo

Tenho muita pena de não ter conhecido bem melhor Maria do Carmo Bica, sobrinha do meu querido amigo de infância António Bica. Tive a oportunidade de com Ela trocar ideias nas reuniões de colaboradores da Gazeta da Beira e pouco mais. Logo fiquei rendido pela sua simpatia, pelo seu espírito vivo e pelo sorriso contagiante que permanentemente anunciava a Esperança no Futuro. Era uma mulher privilegiada, condutora de ideias e exemplo para os que a rodeavam. O ser humano vai sendo progressivamente formatado pela cultura que recebe e vai adquirindo princípios provenientes de díspares pontos de partida, acabando por reflectir  marcas ideológicas  que nos  transfiguram e que, à primeira vista, constituem obstáculos intransponíveis.  Porém, quanto às minhas convicções, embora com uma formação de direita, considero-me apenas um tradicionalista, livre como um passarinho na madrugada das transformações que se adivinham. Isto é, não sou convictamente da esquerda nem da direita, acreditando na verdadeira Liberdade e no Humanismo consequente. Embora sabendo que a comunicativa Maria do Carmo era uma activista de esquerda, nunca de tal me lembrava, pois, tínhamos soluções semelhantes para a maior parte dos problemas que aí andam a ser discutidos e não solucionados-  A Agricultura, a Gestão Florestal, a Saúde e até, pasme-se,   a mesma solução para o aeroporto de Lisboa. Quando nos embrulhamos no complicado e confuso mundo actual, cheio de nós górdios para ultrapassar, os melhores de nós despem os pesados e condicionantes trajes partidários e até ideológicos, encontrando rapidamente, nos opostos, as soluções que procuram E quando existe algum diferendo, nos vários esquemas por cada um proposto, um encantador e cativante sorriso, expressivo da verdadeira Liberdade e da tentativa desinteressada de ajudar, descobrimos definitivamente que os valores fundamentais de cada um são muito mais parecidos do que se poderia pensar. Recordo uma longa conversa sobre a instalação de mirtilos e frutos vermelhos e do grande entusiasmo da Srª Eng. Maria do Carmo Bica, no esperado êxito dessa cultura que iria resolver problemas de todos sem distinção, tanto na Região de Lafões como no Interior. Todavia, a sua inesperada partida deixou um enorme vazio no prosseguimento desta conversa e uma desolação que descobri ser enorme. É verdade que saiu do nosso convívio, mas ficou a leveza do seu Espírito, que nos aparece como uma espécie de querubim alado, com um sorriso aberto de profunda Esperança, com as mãos enfeitadas de frutos vermelhos e ainda carregada com um açafate pleno de amizade incondicional e de bons conselhos. No combate do Bem contra o Mal, na necessária transformação da vida do nosso Planeta e na defesa intransigente da Natureza, vai faltar a sua figura incontornável na primeira linha, o que, desde já nos enche de Saudades.

A Toda a Família a minha profunda solidariedade na Dor.

António Moniz Palme 2020

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